Depois de viver dias difíceis, com muitos produtores interrompendo a exploração da atividade, a pecuária leiteira volta a oportunizar uma melhoria na renda dos produtores rurais de Engenheiro Beltrão (Centro-Oeste do Paraná). A retomada na produção foi possível em função do ingresso de novos criadores na atividade. A maioria deles motivada pela diversificação da propriedade e aumento da rentabilidade, com ocupação, principalmente, da mão-de-obra familiar.
O cooperado Valdemar Redi, que possui uma propriedade de 45 alqueires na região de Pedra Branca, é um dos novos integrantes à pecuária de leite no município. O negócio foi iniciado há um ano e meio, em parceria com a esposa Divânia e o filho Enéas, que também é responsável pela condução das lavouras da família. O agricultor conta que quando resolveu ingressar na atividade – em fevereiro deste ano, a sua meta era estar produzindo, em dois anos, 300 litros de leite por dia. “Chegamos a este resultado com menos de seis meses e hoje estamos produzindo uma média de 370 litros de leite por dia”, comemora Redi.
A atividade leiteira alterna períodos bons e ruins. “O produtor rural tem que aproveitar os bons momentos, sem descuidar do custo de produção”, ensina Valdemar Redi. Ele diz que o aumento do volume de trabalho na propriedade é compensado pela maior rentabilidade. “A vantagem do leite é que, além de dar vida para a propriedade – com os animais, ainda temos o produto para toda a família e um bom dinheiro, no final de cada mês. É o nosso salário”, completa.
Primeiros passos – Como todo iniciante, o cooperado teve inúmeras dificuldades até ‘engrenar’ na nova atividade. “Mas foi só até pegarmos o jeito. Hoje, a lida com os animais e o trabalho de retirada do leite já faz parte da rotina do sítio”, afirma dona Divânia, responsável pela retirada do leite, juntamente com um funcionário.
O processo de retirada do leite, que antes era manual, hoje é feito mecanicamente. Os Redi adquiriram em uma ordenhadeira automática que, segundo eles, contribui para agilizar o trabalho no curral. Um novo resfriados, com capacidade para mil litros, também foi comprado, incrementando o de 500 litros que a família já tinha. “A nossa meta é ampliar a produção para 500 litros de leite por dia, estabilizando a atividade neste patamar”, revela o cooperado.
Plantel – Formado por 60 animais, o plantel dos Redi está, hoje, com 25 animais em lactação. Isto significa que as vacas produzem, em média, 15 litros por dia. “Para a região é um volume muito bom”, destaca o médico veterinário Sandro Colaço Vaz, do Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão.
Alimentação – O cooperado adianta que pretende investir ainda mais na atividade, em função dos resultados interessantes que tem conseguido no sítio. A idéia, segundo ele, é formar uma pastagem de qualidade para não depender apenas da alimentação no cocho, que é feita com o fornecimento de silagem de milho (planta inteira), farelo e casquinha de soja e quirera de milho, além da suplementação mineral. Os Redi também estão investindo na melhoria da estrutura do curral, com ampliação da sala de espera.
A pecuária leiteira tem sido uma boa fonte de renda para os produtores de Clevelândia, na região Sudoeste do Paraná. Contudo, para sobreviver com renda do leite não basta apenas produzir, mas também ter qualidade no produto. E qualidade é o que não falta no sítio do cooperado Fermino Giacomet, que há 20 anos sobrevive de pecuária leiteira. Na propriedade de 16 alqueires ele possui um plantel de 48 animais entre vacas, bezerras e novilhas, todas da raça holandesa, sendo 24 em lactação.
Ao lado da esposa Meri, o cooperado não se contenta em apenas produzir o leite. Eles são também campeões de qualidade. Em 1992 o casal resolveu participar de feiras agro-pecuárias e se deu bem. De lá para cá foram inúmeros os prêmios que conquistaram, merecidamente, por produzirem na propriedade novilhas de qualidade com alto padrão para produção leiteira. “Na primeira feira que participamos não tivemos um bom resultado, mas para nós foi como se fosse o primeiro lugar, pois serviu como experiência. Foi ali que aprendemos como criar bezerras de qualidade”, comenta Fermino.
Os primeiros prêmios foram de “Campeã de Categoria” e “Grande Campeã Reservada”, que abriram as portas para a coleção de troféus conquistados até o momento. A última conquista foi em junho deste ano, quando no 2º Encontro Regional da Novilha e da Bezerra Leiteira, que aconteceu na 30ª EAPI - Exposição Agropecuária e Industrial de Clevelândia, ganhou o prêmio de Reservada Campeã - Categoria Novilha e 3ª Melhor Novilha, da feira agropecuária.
O cooperado que produz entre 18 e 21 litros de média diária de leite, por vaca em lactação. Mas, eles não tiveram só bons momentos com a atividade leiteira nesses 20 anos. “Nunca desanimamos, nem nos piores momentos”, argumentam.
Porém, para obter resultados a pecuária de leite demanda mão obra, investimento e dedicação. Neste processo o braço direito do cooperado nesses anos tem sido sua esposa, que as vezes deixa de fazer o serviço da casa para ajudar no trato dos animais. “Nós tentamos sempre estar melhorando. Quando necessário, afinal: é o nosso ganha pão”, explica. A dedicação da família é tanta que o único filho do casal está se formando em medicina veterinária e até já ajuda no trabalho.
Cooperação – Em relação a Coamo, os Giacomet confessam que depois que a cooperativa chegou a região ficou mais fácil. Conforme Giacometi, “quando falta remédio, ração, composto energético ou qualquer outro produto e só correr na Coamo que está à disposição. Sem falar na assistência técnica que sempre esta presente”, valoriza.
Investimento – Apostando ainda mais na atividade, o cooperado está construindo uma nova sala de ordenha, atendendo o padrão de qualidade. A área terá canalização e tanque de expansão com piso e esgoto, dentro das normas exigidas. “O investimento é meio alto, mas vale a pena. O mercado pede hoje qualidade no produto, e essa qualidade é nós quem temos que fazer”, finaliza.
A segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa começa no dia 1º e vai até o dia 20 de novembro. No Paraná, a meta é atingir 100% do rebanho, estimado em 10 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos. Em maio passado, quando aconteceu a primeira campanha, foram vacinados na região de Campo Mourão 575 mil de um rebanho de aproximadamente 578 mil cabeças de bovinos (99%). A meta para esta segunda etapa, conforme a médica veterinária Márcia Maria Stangler Bezerra, do Núcleo Regional da Seab em Campo Mourão (Centro-Oeste do Estado), é de vacinar 100% de rebanho, seja bovino ou bubalino, inclusive os recém nascidos e os animais em gestação. A veterinária orienta que o criador deve procurar o quanto antes pela vacina e fazer a imunização logo no inicio da campanha evitando atrasos em decorrência de chuvas e problemas de última hora.
Comprovação – Além de vacinar é necessário comprovar a vacinação. Munido da nota de compra da vacina e da relação de animais vacinados os criadores devem procurar a SEAB ou uma das unidades veterinárias da Secretaria. A não comprovação ou vacinação implica em multa de R$ 76,00 por cabeça não imunizada.
Fim das restrições sanitárias – O ministro Luís Carlos Guedes Pinto (Agricultura) anunciou no último dia 19 de outubro, o fim das restrições sanitárias impostas ao Paraná devido aos focos de febre aftosa encontrados no ano passado. As suspeitas de focos de febre aftosa no Estado foram comunicadas ao ministério no dia 21 de outubro do ano passado pela Secretaria de Agricultura do Paraná. A descoberta do foco levou vários países a suspender as importações de carne do Estado.