Na região da Coamo, lavouras do Sul do Paraná e Oeste de Santa Catarina estão por colher e fecham a safra deste ano
Com uma área menor que a cultivada na safra passada, em média 26% no Brasil reflexo das dificuldades enfrentadas pelos agricultores nos últimos anos, o trigo na região de atuação da Coamo está com a sua colheita na reta final. No Paraná, a redução no plantio foi de 35%. Esta área, segundo dados do Departamento de Assistência Técnica da Coamo, foi substituída, principalmente, pelo milho safrinha. A região que mais optou pela segunda safra do milho, em áreas de trigo, foi o Oeste do Estado.
Nesta safra, segundo o Detec da Coamo, o trigo viveu dois momentos antagônicos neste inverno. No primeiro, a condição favorável para as lavouras do cedo, que registraram altas produtividades e boa qualidade. E depois, no início de setembro, a geada que comprometeu 20% das lavouras mais tardias, reduzindo sensivelmente a produtividade. “Este último foi ruim por um lado, mas bom para outro”, avalia o engenheiro agrônomo Marcílio Yoshio Saiki, encarregado do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Ele lembra que a geada derrubou as médias de produtividade e a qualidade do trigo, mas contribuiu para um aquecimento do mercado. “No ano passado o produtor teve problemas para vender a safra pelo preço mínimo, mas agora o mercado reagiu”, relata.
Até o fechamento desta edição, a colheita do trigo na região da Coamo já havia atingido 80% das lavouras, restando apenas as áreas mais ao Sul do Paraná e no Oeste de Santa Catarina. Conforme levantamento da Gerência Técnica da cooperativa, nestas regiões as lavouras de trigo ainda estão nas fases de frutificação e granação.
Resultados - As primeiras lavouras colhidas na região da Coamo expressaram bons resultados, em produtividade e qualidade. A maioria teve o PH acima de 78. E algumas chegaram a produzir 160 sacas por alqueire. Mas com as geadas, ocorridas entre os dias 4 a 6 de setembro quando grande parte das lavouras estavam nas fases de enchimento de grãos, a produtividade foi reduzida e a qualidade comprometida. A expectativa é de que a produtividade média da safra, na região da Coamo, fique ao redor de 70 sacas por alqueire. O que se comparada com a média dos anos anteriores, é de cerca de 20% abaixo.
Sistema de produção - A maior parte dos triticultores opta pelo plantio do cereal por causa da manutenção do sistema de produção. “O trigo é uma cultura que deixa um bom residual, em adubação, para a lavoura seguinte, no caso, a soja. Sem contar que ele faz parte do esquema de rotação de culturas”, revela Saiki. Segundo ele, não existe uma alternativa de inverno que seja altamente rentável. “Então, o agricultor deposita suas fichas em diversas opções, para diluir riscos, apostando no trigo, no milho safrinha, aveia preta e branca e triticale”, relaciona.