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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 355 | Outubro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Safra de Verão

Plantio: soja é a bola da vez

Em ritmo acelerado, cooperados aproveitam o clima e o período favorável para plantar a soja. Mais da metade das sementes já está no solo

Agora é a vez da soja. Na região de atuação da Coamo, os cooperados aproveitam o clima e o período favorável para plantar a oleaginosa. As máquinas estão no campo e cumprem a tarefa em ritmo acelerado. Até o momento, segundo informações da Gerência Técnica da Coamo, mais da metade do volume de sementes já está no solo. É que, de acordo com o zoneamento agrícola, a época entre 20 de outubro e 15 de novembro é a mais indicada para o plantio da soja, uma vez que é o período onde a cultura expressa o máximo do seu potencial produtivo.

Neste verão, a área de soja na região da Coamo cresce 0,3%. O avanço se dá, principalmente, sobre parte da área de milho, que já está todo plantado. Em relação ao clima, as previsões são otimistas, favorecidas pela ocorrência do fenômeno El Niño. Os meteorologistas afirmam que as chuvas serão normais e até acima do normal, para o bom desenvolvimento das culturas de verão.

A expectativa do Detec da Co-amo para a safra é positiva, uma vez que os cooperados investiram mais em tecnologia, por conta do custo menor dos insumos. “A meta é voltar à média história da Coamo: 120 sacas por alqueire entre os associados”, informa o engenheiro agrônomo Marcílio Yoshio Saiki, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Para isso, o crescimento da produtividade deve ser de 20%, em comparação com a safra passada.

Convencional ou transgênico - As cultivares geneticamente modificadas são o grande destaque desta safra. Na região da Coamo, mais de 50% da área de soja será cultivada com variedades transgênicas. A opção dos cooperados, segundo Saiki, reúne questões como o menor custo de produção, a facilidade no manejo de plantas daninhas, e a curiosidade pela nova tecnologia.

Ferrugem - Mas a grande preocupação dos técnicos é com a ferrugem asiática. A doença vem sendo considerada o principal problema que o produtor de soja pode enfrentar com a sua lavoura. O agrônomo da Coamo diz que é preciso ficar de olhos bem abertos, porque a condição para o bom desenvolvimento da soja é praticamente a mesma para o avanço da ferrugem. “A doença se desenvolve rapidamente quando há bastante umidade. Um bom motivo para o produtor rural iniciar o monitoramento da sua lavoura o quanto antes, uma vez que, pelas expectativas, teremos um clima favorável à doença nesta safra”, alerta Saiki.

Transgênicos têm preferência no campo

Qual é o pacote tecnológico ideal para garantir uma boa produtividade com a cultura que está sendo implantada? A resposta para esta pergunta está no equilíbrio entre o econômico e o aspecto técnico da propriedade, sempre levando em conta as informações básicas para o sucesso da lavoura. Por outro lado, antes de tomar qualquer decisão quanto ao investimento a ser adotado é necessário que o produtor saiba primeiramente como esta o seu solo e agir de acordo com o clima regional.

Porém, para esta safra, o soji-cultor, em especial, tomou uma outra decisão, além daquelas que o cercam a cada ano: cultivar soja convencional, transgênica, ou as duas. E então, como decidir por qual tecnologia na hora de implantar lavoura? Por que optar por essa ou aquela e quais os benefícios de cada uma? São perguntas que certamente todos os produtores de soja se fizeram nesta safra.

O engenheiro agrônomo Roberto Bueno Silva, do Detec da Coamo em Campo Mourão , revela que a estimativa na região é de que a área cultivada com a soja transgênica, nesta safra, seja superior a  50%. Um pouco mais ao Sul do Paraná a realidade é outra:  em média, 80% da área será cultivada com soja transgênica. Bueno explica que escolher essa ou aquela tecnologia é uma decisão de cada um.  “Cada caso é diferente do outro. Tem produtor que não planta um só pé de soja trânsgência e não quer plantar”, revela. Segundo o agrônomo, a alegação de quem não planta transgênico é de que apesar deles terem um bom controle de ervas daninhas e, têm uma produtividade menor que a convencional. Por outro lado, confessa Bueno, muitos produtores ião plantar somente transgênicos. E a explicação para isso é simples: estes produtores possuem áreas com grande infestação de ervas e a soja RR proporciona um maior controle dessas invasoras, o que não acontece com a soja convencional.

Mas não é somente em razão do fácil controle de plantas daninhas que o sojicultor opta pela trans-gênica. Existe ainda um outro fator: o econômico. Comprovadamente o plantio de transgênico barateia o custo de produção. Conforme Bueno um alqueire de soja convencional custa hoje entre R$ 100,00 e R$ 150,00 mais caro que a transgênica, dependendo da tecnologia adotada.

Outra prática comum entre os produtores observada pelo agrônomo é o escalonamento das áreas. “Quem tem áreas grandes pode plantar parte com trans-gênico e parte com convencional. Obviamente a semente trans-gênica ocupa as áreas onde existem manchas de plantas daninhas, o que vai facilitar o controle”, explica. Ainda existem os que estão plantando trans-gênicos pela primeira vez para experimentar, conhecer os materiais e fazer a chamada média de produtividade.

O agrônomo acredita que a biotecnologia veio para ficar. “Hoje todos estão trabalhando com variedades resistentes a herbicidas, mas no futuro bem próximo, será possível trabalhar também com variedades resistentes á vários outros problemas, inclusive seca. Porém, a biotecnologia não deve dominar completamente o mercado, os materiais convencionais não deixarão de existir”, acredita.