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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 366 | Outubro de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura

Inverno positivo para milho e trigo

O prejuízo com a geada de maio não se confirmou, para alivio dos triticultores, segundo agrônomo da Coamo

Considerada uma das principais opções de inverno na área de ação da Coamo, ao contrário do que se imaginava, a colheita do trigo revelou boas surpresas nesta safra. O prejuízo com a geada de maio não se confirmou, para alivio dos triticultores. O engenheiro agrônomo Antonio Carlos Ostrowski, Supervisor de Assistência Técnica da Coamo, lembra que o cereal faz parte da história da cooperativa, uma vez que quando da sua fundação, na década de 70, a triticultura já tinha uma enorme expressividade na região. “Para muitos agricultores é uma cultura apaixonante, tradicional e que sempre foi viável para o sistema de produção, desde que seja conduzida com profissionalismo”, comenta o agrônomo.

Ostrowski esclarece ainda que nos últimos anos o trigo perdeu espaço para o milho safrinha por uma série de fatores. Um deles foi a expansão da cooperativa em regiões onde o cultivo do cereal não é muito viável. Outro fator apontado pelo agrônomo é o próprio risco com a cultura e também a comercialização, que há anos é complicada pelo mercado.

O fato é que segundo dados do Detec da Coamo, em 1992, o milho ocupava 5,3 mil alqueires na área da ação da cooperativa, enquanto o trigo era cultivado em 70 mil alqueires. Ou seja, a área de trigo era 12 vezes maior que a de milho. Hoje, porém, os papéis se inverteram. Na safra 2007 os cooperados da Coamo plantaram milho safrinha em 157 mil alqueires de área e trigo em 97 mil alqueires. “Essa inversão ocorreu principalmente a partir da safra de 2005. Hoje o trigo representa em torno de 60% da área de milho safrinha na região da Coamo. Uma grande diminuição, mas ainda é uma área significativa de trigo”, avalia o técnico da Coamo.

Resultados – Neste inverno a alta qualidade e a produtividade animou a até surpreendeu os triticultores cooperados da Coamo. Conforme Ostrowski, o momento não poderia ser melhor para quem optou pela cultura. Apesar da geada de maio e a falta de chuva, que atingiu em cheio as lavouras por um período de quase dois meses, os resultados foram satisfatórios.

A média geral deve ser fechada em torno de 92 sacas por alqueire. Média que poderia ser ainda maior, pois, quem acreditou e investiu na cultura colheu até 161 sacas por alqueire, segundo dados do Detec da Coamo. “Mesmo com esses problemas tivemos médias muito boas. Desde 1984, quando iniciamos um controle rigoroso de produtividade, nossos registros apontam que as médias deste ano são a segunda maior no ranking, comprovando que a safra foi uma das melhores já colhidas pelos nossos cooperados, sem contar a qualidade que foi muito boa”, comemora.

Altamente responsiva ao investimento tecnológico o trigo ainda tem muito potencial a ser explorado. Existe ainda muito espaço para ser preenchido pela cultura, em termos de produtividade. “O trigo é uma cultura que tem espaço muito grande, até mais do que o milho safrinha e importantíssimo na rotação de cultura com a soja. Podemos dobrar essa produtividade se investirmos na tecnologia certa”, sugere.

Safrinha - O milho safrinha é a primeira cultura a ser colhida no inverno e, nesta safra, mesmo com uma certa queda de produtividade provocada pela geada, os resultados, no geral, não foram ruins. Antonio Carlos Ostrowski revela que a média colhida na área da ação da Coamo foi de 143 sacas por alqueire. Um resultado razoável, segundo ele, se calculado as dificuldades provocadas pelo clima. “Isso seria a terceira maior produtividade média de milho safrinha, desde que iniciamos nossos levantamentos, em 1984, nesta cultura. Tivemos falta de chuva e geada e mesmo assim as perdas não foram tão grandes. Claro que em algumas regiões o prejuízo foi maior, mas na maioria as médias ficaram até acima do esperado, o que contribuiu para a elevação desses resultados”, explica Ostrowski.

A área de safrinha cresceu acentuadamente nos últimos anos. Em 1982, conforme Ostrowski, os cooperados da Coamo plantavam cinco mil alqueires de milho, hoje, essa área aumentou para 157 mil alqueires. “Óbvio que nossa área de atuação também cresceu. Mas se compararmos a safra de inverno com a de verão em 1982, a área de milho verão era 28 vezes maior que a de inverno. Na safra 2006/2007 a área de milho verão foi de 93 mil alqueires, ou seja, 60% da área de safrinha de 2007, uma grande expansão do milho safrinha”, compara.

Trigo rende bem e agrada cooperados

Cereal entra no esquema de rotação de culturas da família Ferri, de Campo Mourão, e ajuda a manter o solo equilibrado

A diversidade dentro do sistema de produção é muito importante para manter níveis satisfatórios de produtividade. O produtor rural deve ficar atento à estabilidade do sistema de produção, procurando explorar ao máximo o potencial das alternativas de plantas que estão a disposição da agricultura. A cultura do trigo, por exemplo, a cada safra de inverno vem recuperando espaço na preferência dos cooperados Coamo, por vários fatores. Entre eles está a importância econômica do cereal e a viabilidade para o sistema de rotação de culturas. Outro fator levado em conta, e não de menor importância, é a resposta positiva ao investimento tecnológico.

Na região Centro-Oeste do Paraná o trigo é apontado como a principal opção de inverno. Na fazenda Paraíso, de propriedade da família Ferri, de Campo Mourão, o cereal foi semeado em 71 alqueires. Os cooperados Moacir José, Moacir Juliano e João Ferri, lembram que o trigo entra no esquema de rotação e ajuda a manter o solo equilibrado.

Ele esclarece que a falta de chuva verificada neste inverno atrapalhou um pouco a produtividade, mas o resultado não foi ruim. A média na propriedade foi fechada em 111 sacas por alqueire. “Poderia ser melhor, mas mesmo assim é uma boa média se associarmos a geada de maio e a falta de chuva que atingiu a lavoura neste ano. A seca atrapalhou um pouco o desenvolvimento da planta na fase inicial, mas o retorno ainda foi significativo”, justifica.

Segundo o cooperado a receita para o sucesso da sua lavoura, mesmo com as dificuldades, foi uma somatória de fatores, que vai desde a utilização de variedades apropriadas, até a boa adubação, rotação de culturas e controle fitossanitário, entre outros. “Nos anos de clima bom a diferença não aparece, mas quando o clima não ajuda fica evidente que o pacote tecnológico é quem determina a produtividade da lavoura”, explica Ferri.

Na verdade o cultivo do trigo é uma tradição levada a sério pela família Ferri. Não importa a situação de mercado do cereal, no inverno ele ganha espaço na propriedade. O fato é que mesmo diante dos riscos, por razões climáticas, e até de comercialização, os Ferri apostam na cultura, considerada por eles fundamental para o sistema de produção.

Sem chuva, qualidade aumenta

Com autoridade de quem sabe o que está falando, o cooperado Claude Likes, que tem formação acadêmica em engenharia agronômica, observa que o clima seco deste inverno acabou contribuindo para aumentar a qualidade do trigo. Optante da Coamo em Campo Mourão, ele, a irmã Ariely e o pai, Sidinei Likes, cultivaram 268 alqueires do cereal nesta safra, na propriedade localizada na região de Campina do Amoral.

Mas não foi só a qualidade do cereal que agradou os Likes neste ano. Mesmo com a falta de chuva as médias na fazenda foram fechadas com 115 sacas por alqueire. Nem mesmo a geada, que segundo o produtor atingiu mais as áreas localizadas nas partes baixas, foi tão prejudicial como se imaginava. “Penso que vamos conseguir ganhar dinheiro com a lavoura de inverno neste ano. O clima seco acabou elevando o pH da cultura e a qualidade está muito boa, sem contar a produtividade que também não foi ruim”, comemora.

Likes explica que o trigo é uma cultura que não sente tanto a falta de chuva, dependendo da fase em que ocorrer o déficit hídrico e, se não chover também na colheita, como aconteceu neste ano, a qualidade é garantida. Contudo, para chegar nessa produtividade, o pacote tecnológico adotado pelos Likes não deixou a desejar. Tanto que a soja (cultura que vai ocupar entrar na área de trigo) vai ser semeada sem a utilização de adubo na base. “Procuramos investir o necessário, com boa adubação e tratamento fitossanitário. Desta forma estamos conseguindo manter a cultura ano a ano e tirar o máximo de proveito dela. Como fizemos uma adubação pesada sobre do trigo, a soja será semeada apenas com cloreto de potássio em cobertura, já que temos um solo bem equilibrado”, comenta.

Os Likes podem se dar ao luxo de plantar soja sem a utilização de adubo na linha, em razão do grande equilíbrio químico encontrado no solo da propriedade. Na verdade, é uma aposta na qualidade do terreno, garantida pela construção de uma fertilidade que vem sendo feita há anos, e não do dia para noite.

Do ponto de vista econômico, o trigo é a melhor opção para o cultivo de inverno, e também cumpre uma função social dentro da propriedade dos Likes, trazendo vantagens para o sistema de produção. “Ele agiliza o plantio direto numa forma barata de conservação e melhoria de fertilidade do solo, sem contar os reflexos diretos para a soja, cultura que vamos semear nesta mesma área que estamos tirando o trigo”, completa.