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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 366 | Outubro de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Leite mantém família na propriedade

Em Quinta do Sol, os Galhiotti incrementam renda do sítio e evitam mudança para a cidade com a chegada da nova atividade

Para viabilizar a própria permanência no sítio, de pouco mais de 10 alqueires, em Quinta do Sol, o cooperado Domingos Galhiotti, a sua esposa Sezira e o seu filho Ricieri resolveram investir na pecuária leiteira. Iniciaram na atividade há 5 meses, depois da orientação que receberam do Detec da Coamo. Com pouca experiência, mas com muita vontade de acertar com a nova atividade, os Galhiotti já colhem os primeiros resultados.

Renda incrementada – A chegada dos animais aumentou o serviço, mas também fez crescer a renda da família em cerca de 40%. Com um plantel de 12 animais, sendo cinco vacas em lactação, eles retiram uma média de 85 litros de leite por dia. “Não é muito, mas tem sido o suficiente para garantir uma boa renda, além de manter toda a família ocupada”, conta o cooperado.

A produção de leite é entregue em um resfriador comunitário que fica na cidade de Quinta do Sol. O tanque é dividido com outros sete produtores e o leite armazenado é vendido ao laticínio a cada dois dias.

Vida melhor – A vida dos Galhiotti mudou para melhor. Os planos da família de mudar para a cidade já não fazem parte das conversas em família. “O fato de continuarmos aqui, no sítio, juntos, é motivo de muita alegria”, comemora dona Sezira, que confessou não estar agradando a idéia da mudança. “Quando fomos visitar a data na cidade, onde seria construída a nova casa, fiquei com o coração apertado em trocar todo esse espaço que temos aqui no sítio por aquele pequeno pedaço de chão. Felizmente decidimos ficar aqui, graças ao leite”, lembra.

O assunto da família, agora, é outro. Tem a ver com o futuro no sítio. Bem diferente daquele relacionado com a mudança para a cidade. Os Galhiotti comemoram a nova vida proporcionada depois da chegada da atividade leiteira e já pensam em aumentar o plantel e a produção. “A nossa meta é chegar a 200 litros de leite por dia”, assinala Ricieri.

Queijo as sextas – A produção de leite da sexta-feira é segurada no sítio pela família Galhiotti. Dona Sezira usa o produto para fazer saborosos queijos, que são vendidos na cidade, além de doces para o consumo da família. A produção dos queijos é artesanal. Em média, são produzidos 15 queijos por semana.

Estrutura – Como a atividade é nova no sítio da família Galhiotti, as estruturas para manter e manejar as vacas também foram construídas recentemente. A pastagem ocupa uma área de meia quarta de terras na propriedade. Os animais se dividem entre os 8 piquetes de grama Estrela Africana, permanecendo 3 dias em cada piquete. “No inverno os animais recebem canade-açúcar e silagem milho. E no próximo ano, parte da área de lavoura será ocupada, no inverno, com aveia e azevém, que será utilizado para o pastoreio dos animais”, revela o médico veterinário Sandro Colaço Vaz, que assiste o cooperado. Ele afirma que o segredo da família é fazer tudo bem feito, sem abrir mão da tecnologia.

Vacinação contra a febre aftosa

Já anunciada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, a segunda etapa da campanha nacional de vacinação contra a febre aftosa no Paraná e Mato Grosso do Sul, além de outros treze estados e o Distrito Federal, começa no dia 1º e se estende até o dia 20 de novembro. Apesar de não afetar a saúde humana, a doença pode prejudicar criadores, consumidores e a economia, trazendo enormes prejuízos para o País. “Novos registros de febre aftosa poderiam dificultar a entrada das carnes brasileiras no mercado internacional e isto teria repercussão imediata nas exportações e na balança comercial brasileira”, alerta Stephanes.

Vacinação – Em novembro, os estados que realizarão a campanha são: Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. O único estado que não vacina seu rebanho é Santa Catarina, hoje reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa sem vacinação.

Dia de campo expõe gado cruzado

Evento aborda temas como cruzamento industrial e qualidade da carne bovina, numa parceria entre a Coamo e a UEM

No dia 6 de outubro, a fazenda Dona Elisa, localizada na região de Luiziana (Centro-Oeste do Paraná), foi palco do 3º Dia de Campo de Bovinocultura de Corte, promovido pela Coamo, em parceria com a Universidade Estadual do Maringá (UEM). Entre os participantes do evento, destaque para os cooperados da região, o quadro técnico da Coamo de Luiziana, professores e alunos do 4º ano da faculdade de veterinária da UEM. O manejo do gado de corte na fase de cria, cruzamento industrial e qualidade de carne foram os principais temas abordados durante o dia de campo.

Suplementação – No manejo do gado de corte e fase de cria, técnicos e produtores chegaram a conclusão que as fêmeas criadeiras devem receber sempre uma boa alimentação, principalmente nos períodos críticos do sistema como inverno e secas prolongadas. “Aí entra a suplementação das matrizes com cana-de-açúcar e sal proteinado no cocho”, explica o veterinário Fabiano Camargo, do Detec da Coamo.

Segundo ele, as fêmeas que estiverem no período de reprodução não podem estar nem gordas, nem magras. “Na classificação de 1 a 5 de escore, as matrizes devem apresentar um escore corporal entre 2,5 a 3,5”, orienta. A propriedade, na opinião de Camargo, deve manter uma estação de monta, com o objetivo de concentrar o manejo e a mãodeobra tanto na época de inseminação ou entrada dos touros no rebanho, como na época do nascimento dos bezerros. “Os bezerros nascidos devem ser suplementados com sal mineralizado especial para esta categoria a partir dos dois meses de idade. Isto leva a um desmame antecipado e assim a vaca vai entrar em cio mais rápido, manter seu escore corporal e apresentar um intervalo entre partos mais curto”.

Qualidade da carne – Um tema muito discutido hoje, a qualidade de carne tem grande influência no tipo de criação e manejo dos animais. “Os bovinos devem ser manejados na mangueira com muita tranqüilidade. Nada de grito, espanto ou ferrões. Estas ações levam a traumas físicos e psicológicos”, alerta Camargo.

O técnico destaca que para fazer aplicação de vermífugo, vacina ou antibiótico, o bovino deve estar em tronco de contenção. O trabalho deve ser feito, segundo ele, com seringas e agulhas esterilizadas e em condições de uso. “Devese respeitar os locais de aplicação, tamanho de agulha, validade e temperatura do produto (as vacinas devem estar acondicionadas entre 2 e 8 graus centígrados)”.

Cruzamento industrial – Os técnicos consideraram a precocidade, o ganho de peso e a rusticidade dos animais como fatores importantes dentro do cruzamento industrial. Em uma das estações mostradas no dia de campo, os participantes do evento puderam acompanhar o desenvolvimento dos animais destinados ao abate; machos inteiros provenientes do cruzamento industrial das raças Brangus e Chianina e outros cruzamentos obtidos na propriedade. “Os animais foram mantidos em um sistema de integração lavoura-pecuária, com aveia e azevém, no inverno, que sofreu bastante com a seca. Sendo assim, eles foram suplementados no cocho com canade-açúcar e sal mineral. O lote mostrado possui, em média, 18 meses de idade e peso médio de 16 arrobas”.

Reprodutores – Na estação que demonstrou os bovinos reprodutores da fazenda, de propriedade do cooperado Emílio Prohmann, o criador Paulo Prohmann informou aos participantes do dia de campo sobre as operações de manejo e a seleção dos machos e fêmeas da raça Red Angus. O produtor afirmou que os animais são bem rústicos e que são mantidos na pastagem de grama Tifton e Estrela Africana. Os bovinos também são suplementados com cana-de-açúcar e sal mineral à vontade, no cocho.