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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 366 | Outubro de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Desenvolvimento Econômico

Quando somar é dividir

Lições de cidadania, inclusão social e comprometimento comunitário são “algo mais” na vida de cooperados da Coamo

“Sempre alerta”! Este é o lema dos escoteiros, grupos de adolescentes que se dedicam a desenvolver habilidades ligadas à sobrevivência na natureza e à solidariedade humana. O cooperado Osmar Henrique Fritsche, de Ivailândia, distrito de Engenheiro Beltrão, na região do Vale do Ivaí, no Paraná, conhece bem esta filosofia. Há 19 anos ele integra o Desbravadores Sentinela do Ivaí, um grupo de escoteiros que busca desafios físicos, mentais e também espirituais. Começou como um deles e há 4 anos é um dos diretores do grupo, que reúne 40 crianças, entre meninos e meninas da faixa etária entre 10 a 15 anos.

Princípios de família – O movimento dos Desbravadores faz parte da filosofia de vida de Fritsche. “Envolve os princípios de família; uma forma de dar oportunidades para as pessoas, atuando na construção de uma vida mais digna para as crianças, com lições de cidadania e inclusão social”, resume o cooperado. Entre os integrantes do grupo 50% vivem em situação de extrema carência social e econômica. “Temos que ajudar com roupas e comida, mas a transformação que eles conseguem durante cada conversa, cada ensinamento repassado, é fantástica”, comemora Fritsche.

Ações cooperativistas – A liderança natural de Osmar Fritsche encontrou força nas suas ações como agricultor e cooperativista. Convidado para integrar, em 2000, uma das turmas do curso de Jovens Líderes da Coamo, ele, novamente, fez da oportunidade uma ferramenta para enxergar o trabalho e as pessoas com uma visão um pouco diferente. “Foram descobertas que passaram a nortear mais a minha vida, como o respeito à opinião das pessoas”, salienta o cooperado, destacando que a essência do cooperativismo está associada ao projeto dos Desbravadores, “que é baseado no respeito, união e ajuda mútua”.

As aulas de administração e gerenciamento rural também foram bem aproveitadas pelo cooperado. “São conhecimentos que eu incorporei ao meu dia-a-dia, já que para ter sucesso no campo é preciso trabalhar com eficiência e conhecer bem a sua própria história para não cometer os mesmos erros, sempre”, orienta Fritsche.

Crescimento – Com a nova visão para os negócios o cooperado fez render, ainda mais, o seu trabalho. Entre as suas atividades está a terceirização do maquinário para diversos produtores da região. A frota foi incrementada para atender melhor os clientes e também é utilizada para cultivar os 214 alqueires tocados por Osmar Fritsche. “São áreas arrendadas, mas não deixamos de investir no solo buscando o máximo de rendimento das lavouras”, esclarece.

Na última safra, a soja fechou com uma produtividade média de 143 sacas por alqueire. Com o milho, a colheita atingiu uma média de 373 sacas por alqueire. As duas lavouras de inverno, trigo e milho safrinha, renderam, em média, 143 e 207 sacas por alqueire, respectivamente.

Os Desbravadores nas ações da comunidade

O gosto pela natureza não é a única ligação entre os membros dos grupos de Desbravadores. Reunidos sempre uma vez por semana, eles também aprendem a desenvolver talentos, habilidades e percepções. As atividades são realizadas ao ar livre, geralmente em acampamentos, e constam de caminhadas, escaladas e explorações nas matas. Os adolescentes também aprendem a cozinhar em fogueiras acesas com apenas um palito de fósforo.

Entre os desafios propostos aos grupos está a preparação de nós em corda, além da criatividade com artes manuais. Os jovens ainda trabalham em equipe, procurando sempre ser úteis à comunidade, prestando, também, socorro em calamidades e participando ativamente de campanhas comunitárias para ajudar pessoas carentes.

Dentro dos grupos a jornada começa aos 10 anos. Quando ingressam nos Desbravadores, meninos e meninas são considerados Amigos. Aos 11 anos assumem o papel de Companheiros. Aos 12, Pesquisadores. Aos 13, Pioneiros. Aos 14, Excursionistas. E aos 15 anos ganham o direito de serem guias, uma vez que já adquiriram todas as qualidades que um Desbravador deve ter.

Qualidade de vida no campo

Quarenta e duas famílias e cerca de 200 pessoas formam a comunidade Gramado, em Toledo, no Oeste paranaense. Com terras produtivas e situada na divisa com o município de Cascavel, a localidade poderia ser apenas mais uma entre as inúmeras da região não fossem a garra e a determinação com que suas lideranças assumiram o desenvolvimento do lugar. O cooperado Celso Isoton é um dos que sempre interferiram para o bem da comunidade, juntamente com o irmão Semir e o pai Laurindo. “Moro aqui a minha vida toda. Inclusive nasci neste sítio. Só me mudei uma vez: da casa velha para casa nova”, revela Isoton, com muito bom humor.

Ficar no campo – Quando o assunto é de interesse da comunidade Isoton e seus amigos não pensam duas vezes e buscam implantar e manter uma infra-estrutura capaz oferecer uma melhor qualidade de vida ao produtor rural. “Se gostamos do nosso lugar, e realmente gostamos, temos que ficar por aqui e trabalhar para uma melhor qualidade de vida aqui no campo. Não se vive isoladamente. Por isso, não há dinheiro que pague a presença de um amigo ao seu lado”, considera.

Liderança cooperativa – Celso Isoton também foi integrante do curso de formação de lideranças da Coamo. Ele integrou o grupo de 2004, quando o projeto foi premiado pela OCB/Globo Rural. A partir das lições do curso, que para ele foi uma “faculdade de administração rural” – que nunca teve oportunidade de fazer, Isoton mudou a forma de pensar. “A grande mudança está dentro de cada um de nós. Hoje percebo que alguns sacrifícios valem mais a pena do que outros. Aprendi a tomar decisões com base em planejamento, correndo atrás do sonho, mas bem acordado”, destaca.

Com um controle mais eficiente da propriedade, o agricultor, que trabalha em parceria com o irmão e o pai, viu os resultados das lavouras melhorarem. A família passou a participar mais das atividades e a produção, na última safra, nos 69 alqueires de cultivo, foi uma das melhores já colhidas pelos Isoton: 130 sacas por alqueire de soja e 400 sacas por alqueire de milho.

Mangas arregaçadas – Desde cedo Celso Isoton já demonstrava forte liderança. Começou como integrante dos grupos de jovens cooperativistas, na época com 18 anos de idade. A primeira idéia que ajudou a defender foi a transformação do campo de terra da comunidade em um campo gramado, com alambrado e iluminação. “De lá para cá foram várias batalhas, sempre em equipe”, lembra, exemplificando a construção do asfalto que liga o município de Toledo à comunidade Bom Princípio, que antecede Gramado na linha. Foram cinco quilômetros de pavimentação sobre um calçamento com pedras irregulares que as lideranças de Gramado estão tentando estender até a divisa com o município de Cascavel, ou seja, por mais 20 quilômetros. O projeto já está pronto e aguardando os recursos para a execução das obras. “Quando existe boa vontade sobram alternativas para a concretização dos projetos. E com o apoio da comunidade então, fica mais fácil manter o ânimo para prosseguir nas lutas”, considera Isoton.

Mata ciliar e abastecedouro – Outra ação da comunidade, em parceria com várias entidades, rendeu o plantio de mais de 3 mil mudas de árvores nativas na recuperação da mata ciliar do rio Sanga Arapaçu, que faz fundos com a localidade. As espécies cobriram mais de 200 metros de extensão, ao longo das margens do rio. Com esta ação, a comunidade conseguiu um abastecedouro comunitário e um distribuidor de esterco líquido. Ambos já estão sendo utilizados pelos produtores rurais da região.

Novos desafios – Entre as novas propostas geradas pela comunidade está a inclusão digital. A internet já está nos projetos. Os produtores de Gramado estão trabalhando para adaptar a tecnologia para a suas realidades. “A comunidade inteira percebeu que tem força, se trabalhar unida. Por isso, nunca fazemos nada sozinhos. Quando todos são incluídos no processo conseguimos somar mais, dividindo o trabalho”, conclui Isoton.

Escola São Luiz

Os membros da comunidade Gramado também participam de ações sociais em outras localidades. Como no distrito de São Luiz, onde é mantida a escola que recebe os filhos dos Isoton e dos demais moradoras de Gramado. Sempre que necessário eles se unem e ajudam a melhorar o ambiente escolar. “A escola é o lugar onde se aprende e nós queremos que os nossos filhos sempre aprendam. Então, cada um de nós tem que fazer a nossa parte para que todos possam ganhar. Se você quiser colher, tem que plantar”, completa o cooperado.

Eventos

Em Gramado, nos finais de semana todos os moradores se reúnem para aproveitar as benfeitorias do local. A comunidade possui igreja; pavilhão de eventos com 700 metros quadrados de área construída; cancha de bocha, quadra esportiva e campo de futebol suíço. Há também um grupo de senhoras, que se organizam e participam de atividades voltadas ao público feminino.

Duas festas anuais marcam o calendário de eventos da comunidade: em maio e em setembro. Outras promoções também fazem parte.

Programa premiado pela OCB/Revista Globo Rural

O Programa de Formação de Lideranças da Coamo é pioneiro no cooperativismo brasileiro. Idealizado em 1998, o curso já formou centenas de jovens cooperados, na faixa etária entre 18 a 40 anos, e  conquistou o prêmio OCB/Revista Globo Rural, em 2003, na categoria Educação Cooperativista.

Família – Este ano o projeto está encerrando a sua 11ª turma. Os participantes atuam como agentes de transformação, objetivando o desenvolvimento global da família cooperativista. Na coordenação do trabalho, além dos seus profissionais, a Coamo, conta com o apoio e experiência do professor Albino Gawlak, da ACG – Assessoria Consultoria Gerencial e Treinamento. Gawlak representa um dos grandes nomes no trabalho de formação e educação cooperativista, com ênfase na organizacional do quadro social.

Módulos – Durante o curso, os cooperados analisam, aprendem e trocam experiências sobre as melhores formas de administração, visando obter resultados através de um gerenciamento dinâmico e empreendedor. Também visualizam o cenário vivenciado pela Coamo com a prática de conceitos administrativos e gerenciais qualificados para os dias atuais. A metodologia utilizada durante o curso reúne atividades teóricas e práticas, de forma expositiva e participativa, através de dinâmicas de grupos, estudos e análise de casos concretos, apresentações individuais e grupais. “Tudo visando o desenvolvimento pessoal e profissional de cada jovem cooperado, otimizando e descobrindo as suas potencialidades”, informa o professor Albino Gawlak.

Colhendo os frutos – Para o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, o sucesso deste trabalho é fruto de muita seriedade, entusiasmo e interesse dos jovens em ser profissionais na condução dos seus negócios. “A Coamo está colhendo os frutos de um trabalho calcado no planejamento e na preparação de jovens empresários rurais para desempenhar o seu papel no agronegócio”, comemora.