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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 377 | Outubro de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Vacas, literalmente, na sombra

Mofificações simples no ambiente dos animais podem reduzir o calor e garantir uma maior produção leiteira

O excesso de calor, tecnicamente chamado de estresse térmico, reduz a produção de leite, principalmente em rebanhos tratados a pasto, tornando obrigatória a proteção, estratégica, contra a radiação solar, para as vacas em lactação.

O produtor de leite, sempre irá notar a grave influência do calor nas vacas em lactação, pois, nos dias muito quentes elas param de comer, para o seu organismo não gerar muito calor interno causando a sensação de desconforto e, conseqüentemente diminuindo a produção.

Para se evitar o desconforto e queda de produção, algumas modificações de ambiente e manejo são obrigatórias. Por exemplo: as vacas em lactação não podem pastejar nos horários entre 10 e 16 horas, e sim no fim da tarde e à noite.

Durante o período do dia em que a radiação solar é mais intensa, pico de calor, as vacas em lactação obrigatoriamente devem ir para locais sombreados. Produtores que ainda não possuem locais específicos de sombra, podem observar que as vacas, nos horários mais quentes do dia, se amontoam disputando locais sombreados nos pastos. Assim, se o desconforto térmico não estivesse ocorrendo, as vacas estariam pastando e não disputando uma sombra.

Em propriedades que não possuem estrutura de árvores para sombreamento, faz-se necessário a implantação de “sombrites”, implantados de forma correta, ou seja, no sentido norte-sul, pois, o sol nasce no leste e se põe no oeste, sendo assim terá a sombra projetada sempre para um dos lados, mantendo o local de descanso sempre seco.

A altura do sombrite deverá ser de no mínimo 3,5 metros (levasse em consideração a altura média de uma vaca = 1,5 metro, mais 1 metro de área para transferência de calor para o ambiente, mais a soma do calor que passa pela cobertura do sombrite que é, em média de 1 metro. Á área do sombrite deverá ser de no mínimo 4 m2/vaca, e se possível que o local onde irão deitar-se embaixo do sombrite seja elevado acima do nível do solo para não acumular umidade.

Resolvido o estresse do calor, devesse ajustar o fornecimento de água, em quantidade e qualidade. É impossível a produção de leite sem água. Os cochos devem estar estrategicamente localizados próximos aos pastos e ao local de descanso, sombra, e com alta vazão d’água (no mínimo 9 litros/minuto). Uma vaca produzindo 27 litros de leite/dia, em um dia com temperatura de 26 graus centígrados irá ingerir no mínimo 100 litros de água no dia, e caso isso não aconteça, a ingestão de alimentos diminui e a produção de leite cai.

Para ter-se uma idéia a temperatura ambiente ideal para uma vaca de leite expressar sua produtividade é em torno de 18 graus centígrados e umidade relativa do ar em 50%.

Como exemplo, se uma vaca produz 18 litros de leite/dia na temperatura ambiente de 18 a 24 graus, após um período de uma semana de calor, com temperatura entre 32 graus, irá diminuir a produção para 16 litros/dia e após duas semanas a produção poderá cair para 13 litros/dia, se não forem tomadas as devidas providências. Financeiramente em uma propriedade com 20 vacas em lactação deixar-se-ia de produzir apenas na estação do verão (90 dias) a quantidade de 9.000 litros, ou seja, R$-4.500,00 (R$-0,50/litro).

Outro problema ocasionado pelo estresse térmico é a baixa fertilidade, podendo ocorrer no verão à redução de até 30% na taxa de concepção (prenhez) se comparado com o período de inverno.

O ideal, sempre, será manter o rebanho produtor de leite em ambientes que não ultrapassem a temperatura de 24 graus centígrados e umidade relativa de 50%, conseguindo assim maior eficiência produtiva. Para isso o ajuste, da infra-estrutura das instalações e do manejo do rebanho, torna-se obrigatório em uma propriedade produtora de leite.

Médico-veterinário Hérico Alexandre Rossetto – Detec da Coamo/entreposto de Campo Mourão

Vacinação contra a aftosa a partir de 1º de novembro

De 1º a 20 de novembro acon-tece em diversos estados brasi-leiros, entre eles o Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a segunda etapa da campanha de vacinação contra febre aftosa. Neste período deve ser vacinado todo o rebanho de bovinos e bu-balinos (búfalos). Para cada ani-mal não vacinado, o produtor po-derá ser multado em R$ 81,43, além de ter que vacinar posteriormente. Por esta razão, é importante o en-volvimento e o comprometimento do produtor rural com a campanha para que seja atingida a meta de imunizar 100% do rebanho.

Exportação – Para o secretário de Estado, da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, apesar dos momentos de crise econômica e instabilidade de mercado, a sanidade agrope-cuária é fundamental para que os produtos paranaenses possam ser comercializados no mercado ex-terno “Mesmo num cenário de dificuldades temos de dar as con-dições para a continuidade do crescimento do mercado nacional e internacional para a carne in natura”, afirma.

Neste ano, segundo a Agência Estadual de Notícias, as exporta-ções paranaenses de carne bovina cresceram 383% no faturamento e 162,36% no volume. De janeiro a setembro de 2008 foram ex-portadas 19,5 mil toneladas de car-ne in natura e o valor de expor-tação atingiu US$ 68,4 milhões. No mesmo período do ano passado foram exportadas 7,4 mil toneladas de carne in natura, com fatura-mento de US$ 14,1 milhões.

Leite com mais qualidade

Cooperados de São Domingos participam de evento sobre manutenção de equipamentos e higiene na ordenha

As tecnologias para a manutenção dos equipamentos de ordenha e qualidade na produção de leite foram temas de um encontro realizado pelo entreposto da Coamo em São Domingos, no Oeste de Santa Catarina. O evento aconteceu recentemente e reuniu dezenas de cooperados. Eles acompanharam palestras técnicas sobre os assuntos e também foram orientados sobre o manejo sanitário dos animais, visando uma melhor saúde do úbere das vacas.

De forma didática e prática, os técnicos da cooperativa e profissionais convidados destacaram que o bom estado dos equipa-mentos é o primeiro passo para o resultado positivo da atividade. “Atitudes simples como a lubrificação das peças e a limpeza do reservatório de segurança e dos canos de vácuo, bem como a troca periódica do conjunto de teteiras e mangueiras de pulsação, são fundamentais para a qualidade do produto”, afirma o veterinário da Coamo Tarcísio Spring de Almeida, que atende a região.

Outro alerta repassado aos criadores foi a importância do pré e pós-dipping e o uso de antibióticos no momento da secagem das vacas. Os cooperados também conheceram a maneira correta de se fazer a higiene e desinfecção dos tetos, bem como o uso da retirada dos primeiros jatos de leite na caneca telada de fundo preto antes de cada ordenha e a realização do CMT em todas as vacas em lactação.

Plantas daninhas e normas para a boa qualidade do leite – Os produtores também conheceram o manejo correto para o controle de plantas daninhas em pastagens com a aplicação de herbicidas, destacando a dosagem correta dos produtos a fim de proporcionar melhor controle. “Ainda orientamos os cooperados sobre a importância de acompanhar a Instrução Normativa 51, que determina os padrões de qualidade do leite”, lembra Tarcísio Almeida.