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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 377 | Outubro de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

O agronegócio e a crise mundial

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

Mesmo com a grave crise que explodiu recentemente a nível mundial, a Coamo deverá registrar em 2008 o melhor ano da sua história de quase quatro décadas de existência. A cooperativa totalizará este ano o recebimento de 79 milhões de sacas entre os produtos das lavouras de verão e inverno, contabilizando 4,7 milhões de toneladas, o que representa um volume muito significativo de soja, milho, além do trigo, que atingiu 9 milhões de sacas com qualidade e produtividade – volume jamais recebido nos 38 anos da Coamo.

Com uma safra expressiva, os cooperados da Coamo de maneira geral, tiveram uma boa média de preços na comercialização da sua produção. A soja, por exemplo, no início da safra saltou dos R$ 40,00 a saca para R$ 52,00 a saca e com a chegada da crise voltou ao redor dos R$ 40,00 a saca; o milho chegou aos níveis de R$ 23,00 a saca e está atualmente ao redor dos R$ 16,50 a saca. As bolsas também caíram, saíram dos US$ 16,00 por buschel para US$ 8,60 por buschel. Mas, somando todos os aspectos, este ano está sendo considerado um ano bom de safra e de preços, e se não houvesse esta crise inesperada, certamente a agricultura brasileira poderia contabilizar um dos melhores períodos de sua história.

Devido a crise que é mundial, a situação atual não é favorável para muitos produtores em algumas regiões do país, que estão sentindo a falta de recursos. O governo lançou o Plano Agrícola 2008/09 anunciando recursos da ordem de R$ 78 bilhões para custeio, investimento e comercialização e antes mesmo da crise eles estavam sendo liberados normalmente. Porém, com as turbulências que abalaram o mundo todo, as instituições financeiras estão com dificuldades e atrasando a liberação dos volumes necessários para a nova safra agrícola.

No caso da Coamo, os cooperados estão sendo atendidos nas suas necessidades com o fornecimento dos insumos e não há falta de recursos para a safra de verão 2008/09. Nesse sentido, destaca-se a atuação da Credicoamo que conseguiu o crédito necessário para os seus cooperados, tendo um papel relevante neste processo. Assim, de uma maneira geral, os cooperados da Coamo e da Credicoamo estão semeando a sua safra com tecnologia e na época certa.

A chegada da mais séria crise econômica das últimas décadas foi silenciosa e pegou o mundo todo de surpresa. Até os renomados especialistas da economia mundial não sabem ainda dizer qual o seu tamanho, até quando se estenderá e quais serão as conseqüências futuras. Nesse período de instabilidade o dólar atingiu patamares de US$ 2,25 a US$ 2,30, com as bolsas registrando grandes quedas, gerando insatisfação na economia mundial.

Como resultado desta crise, o mercado agrícola encontra-se paralisado, com um quadro de desconfiança geral entre compradores e vendedores, onde ninguém tem certeza da real situação econômica do outro.

A expectativa da comercialização das commodities está relacionada com a tendência mundial de queda nos preços dos alimentos, que anteriormente estava muito aquecido, provocando a alta da inflação na Europa e em várias partes do mundo. Diante dessa realidade, os preços agrícolas começaram a cair, mas no momento voltaram a níveis estáveis, mas com possibilidade de sofrer oscilações, ora para cima, ora para baixo.

O Brasil vivia um bom momento, com liberação de bons volumes de créditos para financiamentos a longo prazo em vários setores como automóveis e construção civil. Hoje, a situação já é outra, com redução no crédito e nos prazos, e as prestações sendo contratadas com aumento nas taxas de juros.

A crise existe e é global, mas difícil mesmo é saber qual é o seu tamanho e quanto tempo ela irá perdurar. Mas, para conviver com ela, o jeito é acompanhar os fatos e esperar pelo seu final, seguindo algumas orientações. É preciso ter em mente a necessidade da prática da prudência e da cautela, e realizar somente os investimentos inadiáveis, ou seja, os necessários, haja vista as incertezas que podem causar ainda mais prejuízos na economia mundial. Por sua vez, quem estiver mais capitalizado poderá sair com perdas menores e quem estiver com problemas financeiros, certamente, terá mais dificuldades para sair da crise.

No caso da Coamo, os seus co-operados podem ter a certeza da boa estrutura da sua cooperativa que está fornecendo o suporte e a assistência necessária para o plantio da nova safra, como tem acontecido ao longo dos últimos anos. Então, vamos aguardar e torcer para que o desfecho desta crise histórica, que pode ser de grandes proporções. Mas, acima de tudo, vamos esperar que os danos sejam os menores possíveis para que a nossa agricultura e que o nosso país tenham uma nova safra promissora com altas produtividades e preços satisfatórios.