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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 377 | Outubro de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Pioneirismo

Uma carroça na história dos Sturmer

Veículo de meio século foi trazido do Rio Grande do Sul para Mamborê, em viagem de 29 dias, e ajudou a desenvolver a região

Pouco comum nos dias de hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, a carroça é um meio de transporte que foi utilizada por décadas no meio rural como meio de transporte de pessoas e deslo-camentos de carga. Ela faz parte da história e ajudou a desbravar muitas regiões.

Em Mamborê, no Centro-Oeste paranaense, uma delas, em especial, chama atenção. Confeccionada há mais de 50 anos, ela foi trazida, rodando, puxada por dois cavalos baios, de Coxinho – na época distrito de Carazinho, no Rio Grande do Sul, para a região, em 1949, por Reinold Sturmer, avô do cooperado Ivalino Sturmer, e ajudou a desbravar o município. Relembrando as histórias contadas pelo avô, o produtor revela que a viagem durou 29 dias, feita por dois homens contratados pelo avô, que havia vindo antes com a família, de caminhão. “Meu avô pagou para essas pessoas trazerem a carroça do Rio Grande do Sul até Mamborê nesta longa viagem, porque na época não havia nenhuma dessas por aqui. A dele era a única carroça da região e acabou fazendo história. Era utilizava para transportar de tudo, desde mantimentos para casa até a produção agrícola, como arroz, milho e feijão, que se cultivava na época, e suínos”, diz o cooperado, que sonha em doar a herança familiar para ser exposta em um museu.

Reencontro – Apesar da carroça ser parte integrante da história dos Sturmer, por anos eles ficaram sem saber onde e com que ela estava, ou se ainda existia. Essa longa separação aconteceu porque Reinold Sturmer, dois anos após ter chegado na região acabou vendendo a carroça para a família Ribeiro, também de Mamborê. Mas o destino reaproximou os Sturmer do veículo, quando “seo” Ivalino, por acaso, acabou o encontrando em exposição, como peça decorativa, em um posto de combustíveis na margem de uma rodovia da região. “Alguém havia me dito que naquele local havia uma carroça que, de acordo com as características, poderia ser a do meu avô. Há muito tempo queria saber onde ela poderia estar. Acabei indo até lá e por sorte era ela mesmo. Pois o proprietário do estabelecimento me adiantou que havia doado ela para outra pessoa que ainda não tinha ido buscá-la, mas quando contei para ele a história me deixou levá-la na hora”, explica o cooperado.

Modelo gaúcho – O agricultor Carlito Shmidt, também cooperado da Coamo em Mamborê, lembra com perfeição, que ainda criança quando a carroça chegou ao município, todos ficaram admirados. “Eu estava na porta de casa com minha mãe quando avistei de longe aquela carroça chegando. Como por aqui não havia nenhuma daquele tipo logo corri até ela para poder ver de perto. Os mais velhos logo disseram que tratava-se de uma carroça do Rio Grande do Sul, uma vez que o modelo era típico daquela região do país”, conta ele, lembrando inclusive, da rota utilizada para transportar o veículo até a chegada a Mamborê. “A viagem era longa e muito cansativa.

Pelo que sei, ela saiu de Carazinho, passou por Chapecó, em Santa Catarina e só depois entrou no Paraná por União da Vitória/Porto União, vindo por Guarapuava, Pitanga, Roncador e depois Mamborê”, finaliza.