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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 377 | Outubro de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Plantio de verão

Esperanças depositadas na terra

O trabalho no campo não pára. O ritmo é de plantio da nova safra de verão. E agora é a vez de semear a soja

A cena mais comum no campo, nesta época, mostra o conjunto de trator e plantadeira riscando o solo na semeadura da safra de verão. Os produtores não perdem tempo neste trabalho, que é responsável pela metade do sucesso da lavoura. O ritmo é ditado pelas características de cada cultura. Primeiro vem o milho e, na seqüência, a soja. São dois meses em que o ritmo do produtor supera o cansaço do corpo. Tudo para garantir uma boa largada na mais importante fase de produção no meio rural.

A reportagem do Jornal Coamo percorreu algumas regiões da área de ação da cooperativa para conferir o trabalho dos associados no início do plantio das lavouras de soja. O objetivo do contato com os produtores foi fazer uma análise, no período de semeadura da oleaginosa, do que o agricultor espera da nova safra, diante dos fatores de aumento do custo de produção, clima e preços.

Plantio escalonado – Na propriedade do cooperado Ulissses Igor Muth, em Goioxim, região de Guarapuava, no Centro-Sul paranaense, a soja irá ocupar uma área de 66 alqueires. O plantio da cultura começou pelas cultivares transgênicas, que serão semeadas em 20% da área em razão da precocidade dos materiais. No restante da lavoura, o produtor implantará a soja convencional, que possui cultivares adaptadas ao clima e solo da região, quando se trata do plantio mais tardio. “Este escalonamento no momento do plantio me ajuda a garantir uma colheita mais tranqüila. Assim, também, é possível chegar a boas médias de produtividade”, garante Muth.

A expectativa do cooperado, em relação à nova safra de soja, é bem positiva, principalmente em termos de produção. Ele espera superar a média regional, que é de cerca de 130 sacas por alqueire. “Para garantir este resultado o produtor não abriu mão do investimento tecnológico, apesar do aumento no custo dos insumos, sobretudo os fertilizantes”, afirma o agrônomo Adalberto Ragugnetti, do Detec da Coamo em Guarapuava. Na opinião do técnico, tudo indica que o clima se comporte bem neste verão e que não ocorram muitas oscilações em termos de preços futuros. “Ainda é cedo para fazer este tipo de análise, mas o produtor tem feito a sua parte, fazendo um bom manejo do solo e lançando mão de tecnologia de ponta para garantir bons resultados com a safra”, assinala.

Corrida contra o tempo

Em Aral Moreira, no Sul do Mato Grosso do Sul, o cooperado Adelar Jeferson Soligo e sua mãe Genira, correm contra o tempo para dar conta do trabalho de implantação da soja neste verão. A cultura ocupará mais de 500 alqueires da propriedade da família e o ritmo de cultivo está acelerado. A expectativa do produtor com a nova safra é muito boa. “O clima tem colaborado para que o plantio fosse realizado mais cedo, favorecendo assim uma safrinha mais antecipada para o próximo ano, com pouco risco de ser prejudicada pela geada”, comemora.

O cooperado segue a mesma filosofia adotada pelos demais produtores da área de ação da Coamo: investir para produzir. “Não há como deixar de investir na lavoura. Os insumos são necessários e, apesar do aumento no custo, aplicar um bom pacote tecnológico é meio caminho andado para a boa produção da soja”, salienta o agrônomo Lucas Gouvêa Vilela Esperandino, do Detec da Coamo em Aral Moreira.

Venda antecipada - Com relação a preços futuros, Soligo acredita que sejam favoráveis. O cooperado, inclusive, já efetuou uma venda antecipada de aproximadamente 10% da sua produção de soja. “Fechei um contrato para entrega em 1º de abril a R$ 43,50 e estou com esperanças de que o mercado esteja daí para mais, no momento da nossa colheita”, acredita.

Chuva monitorada

Cooperado Nelson Müller, de Pitanga, foca o plantio da soja mas mantém os olhos fixos no comportamento do clima

As lavouras de verão do co-operado Nelson Ari Müller, localizadas nas regiões de Borboleta São Roque e Corumbataí do Meio, em Pitanga (Centro do Pa-raná), já estão praticamente semeadas. Nesta safra, serão 40 alqueires de soja. O produtor espera que a lavoura corresponda as suas expectativas, já que a soja tem sido a cultura que puxa a produção na sua propriedade. “Estou apostando na produtividade e nos preços, a exemplo dos anos anteriores. Por isso, não abro mão de um bom pacote tecnológico”, revela. Para Müller, o agricultor deve fazer a sua parte no processo de produção. “O resto é com o clima e com o mercado”, brinca.

A produtividade média do co-operado, nos últimos anos, tem girado em torno de 120 sacas por alqueire. “A meta, nesta safra, é ampliar os volumes de produção aqui na propriedade do ‘seo’ Nelson”, explica o técnico Edson Pierazzo, da Coamo em Pitanga. Ele diz que com um projeto bem feito os produtores conseguem tirar da terra os investimentos feitos. “E os cooperados sabem bem da importância de fazer a lição de casa. O aumento no custo dos insumos não afastou o produtor dos investimentos. Pelo contrário. Em muitos casos ele até aumentou o nível tecnológico, buscando compensar o seu resultado em produtividade”.

Previsão abaixo da média no Sul do Brasil

 

 

 

 

 

No site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na Internet, os agricultores encontram fontes de consultas para modelos de previsão sazonal de precipitação pluviométrica. O Jornal Coamo avaliou a indicada para o trimestre de novembro e dezembro/2008 e janeiro/2009. De acordo com as informações, a ocorrência de chuvas será abaixo da normal climatológica no Sul e acima da média histórica no Norte do Brasil. Nas demais áreas do país, a maior probabilidade é de chuvas em torno da normal climatológica. No mapa ao lado, a previsão probabilística (em tercis) de consenso do total de chuvas no trimestre.

Com relação às temperaturas, somente o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil deverão ter valores acima dos normais. Nas demais Regiões, os valores médios de temperatura devem variar em torno da categoria normal.