Site Coamo
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 388 | Outubro de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Mercado / Colheita

Tradição especulativa faz produtor perder picos

Matéria extraída da Gazeta do Povo (Caminhos do Campo), edição de 13/10/2009

Na Coamo, a maior cooperativa de grãos da América Latina, com sede em Campo Mourão, na região Centro-Oeste do Paraná, a orientação aos produtores associados é comercializar antecipadamente até 20% da produção estimada. O porcentual de negócios futuros, no entanto, sempre ficou abaixo disso. O comportamento dos mais de 20 mil cooperados, que entregam acima de 5 milhões de toneladas de grãos por ano, espelha a realidade da comercialização no estado. Mais do que isso: a Coamo também representa produtores de outros dois estados, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

José Aroldo Gallassini, presidente da cooperativa, diz que o produtor brasileiro não tem tradição de atuar no mercado futuro. “O Brasil é especulador. E muitas vezes paga o preço por isso”, afirma o dirigente. Em seus 39 anos à frente da Coamo, ele conta que, apesar do histórico especulativo, o agricultor sempre acaba vendendo na baixa, não aproveitando os picos de preço. Na opinião de Gallassini, as fortes oscilações do mercado ajudam a deixar o produtor confuso. Ele cita a cotação do bushel de soja, que saiu de US$ 10 e foi a US$ 16 na metade do ano passado.

Para a próxima safra, a Coamo fechou negócios com soja a R$ 39 a saca de 60 quilos. O preço é bem menor que o pico de R$ 52 recebido no ano passado, mas ainda assim compensador. O custo de produção direto (desembolso) dos produtores associados da Coamo fica em torno de R$ 20 por saca. “Travar preço para até 20% da produção é estratégia para cobrir custo. Isso seria o ideal, mas é uma cultura difícil de implantar”, destaca Gallassini.

O DESASTRE DO CÂMBIO – Com 40% de um faturamento anual de US$ 2,5 bilhões escorados na exportação, a Coamo prevê que a comercialização da safra 2009/10 no Brasil se complicará se não houver uma reação do câmbio. “Se a cotação do dólar insistir na flutuação entre R$ 1,8 e R$ 1,9 será um desastre para as exportações do complexo soja”, alerta o presidente da cooperativa. Sua expectativa é que o dólar rompa a barreira dos R$ 2. “Será a única maneira de compensar os estoques em alta e a queda sistemática das cotações em Chicago”.

Paraná produz 18,9% da safra brasileira de grãos

O encerramento da safra 2008/09 revela que o Paraná produziu 25,28 milhões de toneladas de grãos, que correspondeu a 18,9% da produção nacional. Com essa participação, o Estado foi o segundo maior produtor de grãos no País da safra brasileira que atingiu uma produção de 133,5 milhões de toneladas, a segunda maior safra nacional depois de 2007/08, informou a pesquisa agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao mês de agosto. Para a safra 2009/10, a previsão paranaense, com a produção agrícola, é atingir um volume em torno de 30 milhões de toneladas. (Com informações da Seab)

Carbono Cooperativo

Entrou no ar no dia 19 de outubro, no portal Brasil Cooperativo, o site Carbono Cooperativo, que tem como objetivo divulgar dois programas criados pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB): Mercado de Carbono e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo Florestal (MDL Florestal). Os programas propiciam às cooperativas a redução das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) e de resíduos da produção agropecuária e agroindustrial. O link de acesso ao novo site está disponível na página da OCB na internet no endereço: www.ocb.org.br (Informe OCB)