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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 419 | Outubro de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Gestão Rural

Caneta e papel sempre a mão

Gerenciamento eficaz das operações na propriedade garante economia de tempo e dinheiro e o aumento de produtividade

Ainda muito jovem, por volta dos 18 anos de idade (hoje com 29), o cooperado Josef Hidelbrandt Junior, passou a se preocupar com a gestão de uma das propriedades da família de 454 alqueires, localizada na região de Goioxim, microrregião de Guarapuava (Centro do Paraná).

Emancipado pelo pai, ‘seo’ José Hidelbrandt com apenas 16 anos, Júnior deixou a faculdade de agronomia antes de concluir o curso, no 3º ano, e revela que, a partir deste momento, se jogou de corpo e alma na administração da fazenda, que até então, era explorada em sua maioria por gado de corte e um pouco de lavouras comerciais.

Arrojado, o jovem produtor rural mudou a realidade da propriedade, hoje, ocupada por soja e milho no verão, trigo e aveia no inverno, além de floresta nas áreas impróprias para lavoura. “Abandonei os estudos para me dedicar à fazenda e sempre digo que minha faculdade é a vida e meu mestre foi meu pai. Fui criado aqui e sempre gostei mais de lavoura, mais não descarto voltar a trabalhar com gado que é a grande paixão do meu pai”, conta o cooperado, que anota todas as operações e informações da propriedade em apostilas, que depois são repassadas para o computador.

TUDO NA PONTA DO LÁPIS – Conforme Júnior o habito de anotar foi motivado pela necessidade de ter um controle gerencial mais profissional das atividades desenvolvidas na fazenda. “Tudo nasceu com uma simples apostila de aplicações. Quando meu pai parou de ir para o campo com os agrônomos e me delegou essa responsabilidade percebi que era necessário ter tudo anotado para não perder o controle”, revela o cooperado que arquiva informações como os custos de despesas, aplicações de defensivos e operações de manejo da propriedade, até o histórico de produtividade desde 2004. “Sou dependente de caneta e papel e prefiro anotar na apostila ao invés do computador. Essa organização foi fundamental para melhorar os resultados da propriedade”, comenta o produtor, informando que o controle gerencial e as tecnologias implantadas por ele, como rotação de culturas no verão e inverno, contribuíram para um acréscimo de produtividade das lavouras de pelo menos 20% nos últimos anos. “No começo tive a resistência do meu pai que é um pecuarista tradicional. Mas, graças a Deus acho que consegui provar, através de todo esse gerenciamento, que era possível melhorar. De lá para cá conseguimos aumentar nossa produção e ter resultados bem mais agradáveis. É como disse, não descarto a pecuária, mas por enquanto quero seguir com essa estratégia”, afirma.

POUPANÇA VERDE - Componente de uma nova geração do agronegócio, Hidelbrandt Júnior enxerga na boa gestão dos negócios, o caminho para o sucesso. Além de conduzir tudo com muito cuidado e absoluto controle, ele está sempre em busca de novas alternativas para incrementar a renda propriedade. A implantação de floresta nas áreas impróprias para lavoura, iniciada há cerca de nove anos, é considerada por ele como a grande jogada do futuro, uma vez que a madeira, hoje bastante valorizada no mercado, será uma espécie de poupança verde. “Eu tinha que de alguma forma ocupar as áreas onde meu pai criava o gado, que foi todo levado para outra propriedade. Foi então que optei pelo cultivo de pinos e eucalipto que vai certamente ser uma aposentadoria no futuro”, diz.