Agricultura

Trigo: qualidade e produtividade


Lavouras bem conduzidas produzem acima da média na região de Ivaiporã

A cultura do trigo surpreendeu produtores e técnicos da região de Ivaiporã. A explicação do engenheiro agrônomo Edivan Abel Moraes, responsável pelo Detec da Coamo no município, é a especial atenção dedicada ao manejo da cultura, desde a busca pelo equilíbrio dos nutrientes do solo até os cuidados com a escolha da variedade e o momento ideal de realizar o controle de pragas e doenças. As lavouras, segundo ele, também foram favorecidas pelo clima.
Antes da Coamo chegar à região, a produtividade média dos produtores ficava ao redor de 70 sacas por alqueire. O limite estava na falta de planejamento. O plantio era feito muito cedo e não havia um controle eficaz das doenças. "Quando ocorria a aplicação do fungicida já era tarde e de 30% a 40% da lavoura já estava infectada", lembra Moraes.
Em 1999 a Coamo deu início ao trabalho de adubação corretiva e os nutrientes do solo começam a se equilibrar. Também foi nesta época que os produtores passaram a adotar o plantio direto e a rotação de culturas. Ao mesmo tempo foi implantado o controle preciso das doenças do trigo. Esse conjunto de fatores ajudou a melhorar a eficiência do trabalho. Graças ao emprego da tecnologia, os cooperados da região comemoram produtividades nunca antes alcançadas.
O cooperado Osmar Stabile, é adepto da rotação de culturas e outras técnicas. Ele comenta que somente nos últimos anos, com o trabalho mais planejado, foi possível obter incremento da produção. Nesta safra, os Stabile conseguiram, em 23 alqueires, uma média de 140 sacas por alqueire. No sítio, eles cultivam em sistema de rodízio soja, aveia, feijão e soja, novamente. Para não degradar o solo, usam adubação pesada, conforme a exigência da cultua, fazem análise periodicamente e realizam as correções necessárias. A expectativa do cooperado é melhorar ainda mais os números da propriedade. "Estamos trabalhando para atingir médias entre 150 a 180 sacas por alqueire, como já se ouve falar", ressalta.
Outro cooperado, Altamir Estevão Baggio, não esconde a felicidade da produção alcançada nesse inverno. Foram 7.040 sacas de trigo colhidas em 45 alqueires, com média de 156 sacas em cada alqueire. Baggio apostou no tratamento da semente e conseguiu segurar as doenças inicias, comuns em materiais de alto potencial produtivo.
O investimento, segundo ele, foi feito com o objetivo de explorar o máximo dos materiais. Baggio aplicou uma adubação de base pesada e outra de cobertura, além tomar todos os cuidados com as doenças. "Colhi uma supersafra. Nunca tinha produzido tanto trigo assim", comemora. Nas contas do produtor, o custo para produzir um alqueire de trigo é elevado. Mas, mesmo assim, segundo ele, ainda compensa. "Com os preços desse ano vai dar para cobrir as despesas e sobra um bom dinheiro", conclui Baggio.
Na opinião do agrônomo Edivan Moraes, o clima foi um grande aliado para a alta produtividade na região, mas os resultados foram melhores onde o solo estava corrigido. Além do mérito na condução da lavoura, o produtor que vem acreditando no potencial do solo e fazendo os investimentos necessários está melhorando também os resultados da safra de verão.
Stabile com o agrônomo Edvan Moraes: planejando melhors resultados


Baggio: surpresa com a alta produtividade