Bovinos:
Especializando a criação
A eficiência dos cooperados de Santa Catarina na seleção de animais puros da raça charolesa
No extremo-oeste de Santa Catarina a pecuária especializada é uma alternativa em diversas propriedades. Em algumas fazendas, a atividade chega a ser a principal, diante da eficiência na condução do negócio. Com a beleza da criação é possível de encher os olhos. Mas os resultados estão atrelados a uma tecnologia de ponta e a um processo de seleção altamente rigoroso, que oferece segurança aos clientes e eficiência aos pecuaristas.
Os cooperados Manoel Lustosa Martins Neto, da Fazenda Esperança, e Jamil Deud Júnior, da Fazenda Santa Tecla, ambas propriedades localizadas na região de Abelardo Luz, são investidores neste mercado especializado. Além das atividades normais das propriedades - criação de gado de corte extensivo e lavouras, eles trabalham na seleção de animais puros de origem (PO) da raça charolesa. Muitos deles, inclusive, campeões em exposições e feiras. Martins Neto vai ainda mais além, selecionando também animais puros da raça simental.
A pecuária de corte está no sangue dos dois cooperados. Ambos são filhos de pioneiros da região, que abriram as terras há mais de cem anos. O gosto pela atividade especializada é tão grande, que animais já foram importados de diversos países, como França (berço do Charolês), Inglaterra, Escócia, Canadá, Irlanda e Argentina. "Hoje, basicamente, concentramos nossa atividade pecuária no segmento especializado", revela Martins Neto. Segundo ele, a propriedade abriga um plantel de mil animais registrados. "A maior parte da nossa comercialização é direcionada para a região do Brasil Central, onde a pecuária está em pleno desenvolvimento com a inclusão do sistema de cruzamento industrial, que busca o aumento de produção de carne no País", acentua.
No caso da Santa Tecla, a história é um basicamente a mesma. A propriedade também possui dupla aptidão, explorando a agricultura e a pecuária de forma integrada. Segundo Deud Júnior, que administra a fazenda em parceria com o irmão Luiz Deud, a pecuária especializada foi uma evolução do sistema extensivo. "Primeiro buscamos o cruzamento e depois passamos a selecionar a raça", lembra. O cooperado afirma que a escolha pelo Charolês foi baseada em características como a adaptação da raça à região, rusticidade, alta produção de carne, precocidade dos bezerros e maior peso para o abate. "Nossa maior preocupação foi adaptar a raça para os nossos padrões, com bezerros menores para facilitar o parto e selecionando matrizes com habilidades maternas", acrescenta Deud Júnior, que mantém um plantel de 260 fêmeas em reprodução.
Reprodução - O manejo reprodutivo adotado nas fazendas Esperança e Santa Tecla utiliza o mais alto conceito tecnológico. A cobertura das é dirigida, basicamente através de inseminação artificial. A transferência de embriões também é uma tecnologia adotada e que visa aumentar o índice de prenhez das fêmeas. "Somos pioneiros na tecnologia de transferência de embriões, utilizando essa técnica desde o início da década de 80", afirma Deud Júnior. Em média, segundo ele, sete embriões por coleta são viáveis hoje, estando esse número dentro da média. "Nossos números também estão dentro dessa média", completa Martins Neto.
O controle sanitário do rebanho também é rígido, com calendário profilático anual de combate as zoonoses e parasitas. Os animais comercializados passam por exames andrológicos, no caso dos machos, e ginecológicos, para as fêmeas, a fim de garantir a fertilidade.
Cadeia forrageira - Uma característica das fazendas é optar pela criação
dos animais na pastagem. Não menos importante que a genética, a nutrição
do rebanho é estrategicamente definida. "Utilizamos, além da
pastagem tradicional, um consorcio de forrageiras a base de aveia, azevém,
trevos branco e vermelho e cornichão", destaca Martins Neto.
O cooperado é pioneiro nessa experiência na
região, desenvolvida em parceria com a Coamo. "Entendemos que o
melhoramento das pastagens é mais viável. É mais fácil e barato
produzir uma pastagem de qualidade do que investir em ração para
os animais", considera.
Martins Neto iniciou o projeto da cadeia forrageira na fazenda no
ano passado.
Índices zootécnicos
Cabanha Santa Tecla
Taxa de natalidade - 98%
Taxa de desmame - 87%
Taxa de Prenhez - 86%
Embriões viáveis/coleta - 7
Cabanha das Tunas
Taxa de natalidade - 86%
Taxa de desmame - 88%
Taxa de prenhez - 84%
Embriões viáveis/coleta - 7 |
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A meta é trabalhar cerca de 20 alqueires, consorciando
com a grama Tifton no verão. "Com esse sistema ampliamos a
lotação do verão, saltando de uma média de duas cabeças por
alqueire para oito cabeças por alqueire", comemora.
O projeto também está sendo implantado na Santa Tecla, em parceria
com o Detec da Coamo. "Estamos buscando um fornecimento de
comida ao rebanho de maneira mais regular e com um custo mais
racional", sustenta Deud Júnior.
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Deud Júnior, um dos pioneiros na
criação especializada da raça charlesa |
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Martins Neto confere, com o
veterinário da Coamo Tarcísio Spring, a qualidade da cadeia
forrageira
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Formando a pastagem
O sucesso na implantação de uma forrageira depende das decisões tomadas pelo pecuarista

Uma boa forrageira dá suporte à produção no pasto |
O Brasil é o maior produtor e exportador de sementes de forrageiros de clima tropical do mundo. Existem diversas empresas produtoras, havendo no mercado sementes de boa e também de baixa qualidade, sendo algumas de origem duvidosa.
Muitos pecuaristas já perderam o plantio da pastagem em função de diversos fatores que vão desde qualidade da |
semente, problemas climáticos, forma de plantio, falta de conhecimento da tecnologia e assim por diante. Para a obtenção do sucesso na implantação de uma forrageira, vários fatores devem ser levados em consideração, como os que seguem:
Escolha da semente - Deve ser escolhida uma semente fiscalizada e certificada que se adapte melhor a região, levando em conta o clima e o solo.
Análise do solo - Para se ter um pasto bem formado, com alta produção de massa verde e matéria seca, é necessário fazer a análise e a correção do solo, sendo, portanto, necessário consultar um engenheiro agrônomo para que o mesmo oriente a coleta das amostras e a recomendação de adubação. Um dos motivos de fracasso ou sucesso na implantação de uma pastagem é o preparo do solo, o qual é a cama da semente sendo necessário um bom manejo para que ele apresente condições ideais para permitir a germinação da semente. Existem algumas forrageiras mais exigentes que outras quanto à fertilidade do solo. Portanto, não se obtenha boas produções de massa e matéria seca em solos depauperados, sem a devida correção e reposição de nutrientes principalmente o Fósforo, Nitrogênio, Potássio e outros como Enxofre e Zinco.
Piquetes - Após a implantação da pastagem, para se obter o máximo de aproveitamento com elevada taxa de lotação e persistência da mesma por muitos anos, é importante que seja realizado um bom manejo através do pastejo
rotacionado. Os principais objetivos são a elevação animal nas pastagens, obtenção de um melhor controle do pastoreio e o equilíbrio entre qualidade e quantidade de forragem com as exigências dos animais.
No pastejo rotacionado o número de piquetes a ser formado é dado pelo período de descanso que a planta deve ter dividido pelo período de ocupação. Por exemplo: um pasto que deve ter 28 dias de descanso com dois dias de ocupação.
Para uma espécie como o capim Tanzânia, é recomendado um período de descanso de 36 dias. Já o Brizantha necessita entre 30 a 35 dias. No caso do Mambaça, o período ideal é entre 28 dias a 36 dias, conforme clima e solo. Para Estrela Africana, a média é de 21 a 28 dias. Se quisermos lotação alta na pastagem, devemos fazer períodos de ocupação curtos - entre um a dois dias.
Olívio Eirich, médico veterinário Detec Campo Mourão.
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Principais variedades
Brachiária Brizantha
Solos médios e férteis. Resistente a seca. Indicada para pastejo
e fenação. Produção: 50 toneladas de massa verde por hectare.
Proteína bruta na matéria seca: 8 a 9 %.
Brachiária Decumbeses
Solos médios fracos. Boa resistência à seca. Indicado para
pastejo e fenação. Época de plantio de Setembro a Janeiro.
Produção: 45 toneladas por hectare. Proteína na matéria seca:
6 a 8%.
Brachiária Umidícola
Solos médios e fracos. Resistente a seca e encharcamento.
Indicado só para pastejo. Plantio de Setembro a Janeiro. Produção:
45 toneladas de massa verde por hectare. Proteína na matéria
seca: 5 a 7%.
Capim Tanzânia
Solos férteis. Resistente a seca e frio. Indicado para
pastoreio. Produção de 70 toneladas de massa verde por hectare.
Proteína bruta na massa seca: 10 a 12%.
Setária
Solos de média fertilidade. Resistente ao frio e umidade.
Indicado para pastejo direto e fenação. Plantio de Setembro a
Janeiro. Produção de matéria seca: 12 a 15 toneladas por
hectare/ano. Proteína bruta na matéria seca: 8 a 9%.
Capim de Rhodes
Solos férteis. Resistente ao frio. Indicado para pastoreio
direto e fenação. Plantio de setembro a janeiro. Produção de
matéria seca: 8 a 10 toneladas por hectare/ano. Proteína bruta
na matéria seca: 9 a 11%.
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Terapia da vaca seca
A glândula mamária requer um período ausente de lactação, antes do parto, tendo por finalidade otimizar a produção de leite na lactação subseqüente. Há um consenso de que o período seco deva durar pelo menos 60 dias e que, em períodos menores que 45 dias, há diminuição da produção de leite na lactação seguinte.
Vários estudos demonstram que no período seco a taxa de risco de ocorrência de novas infecções intramamárias atinge seu pico. Assim, essas novas infecções intramamárias que ocorrem durante o período seco contribuem significativamente para o aumento no número de quartos infectados na próxima lactação. Essa última relação entre o período seco e a mastite bovina levou ao desenvolvimento da " terapia da vaca seca" , tornando-se um componente necessário do programa de controle da mastite.
A terapia da vaca seca nada mais é do que o tratamento, com antibiótico por via intramamária, de todos os quartos de todas as vacas no dia da secagem. Dentro de um programa de controle de mastite que envolva desinfecção dos tetos antes e depois da ordenha, bom funcionamento do sistema de ordenha e adequado manejo do ambiente, esta é uma das medidas mais efetivas, pois é a única que atua tanto na prevenção da ocorrência de novos casos quanto na cura dos casos existentes. A prevenção de novos casos de mastite durante o período seco é de extrema importância, visto que é nesse período que ocorre maior taxa de risco de novas infecções, taxa esta que é diminuída de forma significativa com o tratamento no dia da secagem.
Em resumo, entre as vantagens dessa prática, pode-se destacar: taxa de cura significativamente mais alta que a do tratamento durante a lactação; utilização de antibióticos de longa ação e em altas concentrações; diminuição drástica de novas infecções potenciais do período seco; possibilidade de regeneração do tecido mamário lesado na lactação anterior; redução da incidência de mastite clínica no pós-parto.
O tratamento é seguro, não causando riscos de contaminação do leite com antibióticos.
Colaboração: Sandro Colaço Vaz, médico veterinário Detec de Engenheiro Beltrão. Fonte: Qualidade do leite e controle de mastite (Luis Fernando Laranja da Fonseca e Marcos Veiga dos Santos).
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