Agricultura

Diversificando a fazenda


Cooperados de Pitanga melhoram produtividade das lavouras com cultivo rotacionado no verão e no inverno
Engana-se quem pensa que a diversificação de atividades é meta apenas de pequenos agricultores. As fazendas também estão aderindo à prática, em busca de alternativas que possam facilitar a exploração e melhorar a produtividade das lavouras. Em Pitanga há um bom exemplo dessa tendência que está se tornando cada vez mais comum em grandes áreas
Cezar Schon, em parcerias com os irmãos, busca informações para verticalizar os resultados da fazenda
de terras. Os irmãos Cezar Luiz Schon, Mário e Orlando Rank, de Pitanga, apostaram na rotação de culturas. Num projeto inédito na região, eles estão adotando a tecnologia no verão e no inverno. Com o cultivo rotacionado durante o ano inteiro, os cooperados estão conseguindo melhorar a produtividade das lavouras. A soja tem sido a mais beneficiada, com incremento de 10% em relação aos resultados alcançados há três anos.

Aumentando as opções no inverno, os irmãos também estão conseguindo diminuir o banco de sementes de invasoras existente na área de cultivo. "Antes, por falta de informação, deixávamos a terra em pousio no inverno", lembra Cezar Schon. Ele revela que isso contribuiu para aumentar o banco de sementes das ervas invasoras. "Foi uma decisão acertada porque resolvemos três problemas de uma só vez: o limite da produtividade, a redução do banco de sementes e do custo de produção", completa o cooperado.

Projeto - Instalada numa área de 300 alqueires, na localidade Flor da Serra, a Fazenda Três Irmãos é hoje um exemplo de exploração racional e economicamente sustentável. No verão, a soja ocupa a maior parte da área agricultável. O milho ocupa 25% da área, dentro do esquema de rotação. No inverno, 25% da área é ocupada pelo trigo. O restante tem o cultivo dividido entre diversas alternativas, sempre analisando o investimento subseqüente.

Para as áreas que receberão milho no verão, o cultivo de inverno é dividido entre a canola, ervilha forrageira, nabo forrageiro e aveia preta. Já as que serão cultivadas com a soja, recebem trigo, triticale, centeio, aveia preta e azevém. "Alguns talhões recebem duas ou três culturas simultaneamente, o que caracteriza o consórcio de opções", afirma Schon. Desta maneira, segundo considerou, a exploração se torna mais eficiente. Os resultados foram planejados, conforme projeto elaborado pelo Detec da Coamo, e estão agradando. "Todo o esquema de trabalho na fazenda para os próximos cinco anos já está projetado. E esse é um dos detalhes que têm feito a diferença no sucesso do negócio", completa Schon.

Resposta - Além da soja, os cooperados também estão conseguindo uma boa resposta na produtividade do trigo. Comparando com os números de três anos atrás, a produtividade do cereal saltou 15%. Sem contar que eles ainda conseguem uma boa renda com a comercialização das outras alternativas de inverno, como é o caso da canola, o centeio e o triticale.

A estratégia é diversificar a propriedade e ganhar mais através da agregação de valor à produção. Na última safra a produtividade média da fazenda chegou a 127 sacas de soja, 340 de milho e 120 sacas de trigo por alqueire. Mas há uma outra atividade sendo incorporada, também em parceria com a Coamo. De olho no aproveitamento do esterco para melhorar a fertilidade do solo, já está em fase final de implantação uma granja de suínos, com capacidade para terminação de 1.200 leitões.

Com a incorporação do esterco no solo e a continuidade do projeto de rotação consorciada, a meta é incrementar a produtividade das lavouras em mais 10%. "Não há outra saída para nós, agricultores, senão através da exploração racional, diversificada e economicamente sustentável. Felizmente contamos com apoio da Coamo, que está ao nosso lado em todos os momentos", conclui Schon.