Agricultura

Cresce tecnologia no algodão

O Brasil consegue, em apenas um quarto da área, a mesma produção dos anos 80

O ganho de produtividade, aliado à estrutura logística no País, fez com que os produtores - mesmo cultivando 75% a menos da área, alcançassem uma produção de algodão semelhante a de duas décadas atrás. A informação foi levantada no Congresso Brasileiro sobre a cultura.

O entomologista, Valter Jorge, pesquisador do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), lembra que cotonicultura cresceu também em qualidade, com grande aceitação do produto brasileiro no mercado internacional.

Os produtores, que no passado reclamavam da falta de variedades, também comemoram. As entidades de pesquisa estão trabalhado em projetos que têm resultado em novidades apresentadas ao mercado todos os anos. Segundo Valter Jorge, o cultivo do algodão tomou novos rumos. Além de se intensificar na região do cerrado, também ganhou novas tecnologias. Para Jorge, a provável redução na área de plantio do algodão, nesta safra, não deve ultrapassar 10%, em nível nacional. "Acredito que os produtores tradicionais não devam abandonar a cultura. Diante do quadro que vivemos hoje o agricultor precisa diversificar os riscos. Investir nas principais culturas, soja e milho, mas manter na propriedade o espaço para o algodão", diz.

Na questão de mercado, o pesquisador acredita que as turbulências vividas no início de setembro como a alta do dólar e do petróleo favorece as fibras naturais. Ou seja, as indústrias têxteis devem voltar a consumir o algodão brasileiro, evitando a importação e ao mesmo tempo devem melhorar as exportações.

Outro aspecto importante, segundo o pesquisador, é a facilidade de trabalhar com a cultura nos últimos anos. Um exemplo disso são os herbicidas mais eficientes, a colheita mecânica - praticada no cerrado e incentivada pela Coamo na sua área de ação, além de toda uma estrutura técnica oferecida pela cooperativa.

 

Época de plantio

No mês de outubro inicia o período favorável para o plantio de algodão na região da Coamo. O Detec da cooperativa recomenda aos agricultores que sigam o zoneamento para obter melhores resultados na germinação das plantas.

Em Juranda, um dos principais municípios produtores, a semeadura começa a partir do 
dia 20 de outubro e vai até 30 de novembro. O engenheiro agrônomo Valdemiro Nesi, do Detec da Coamo no município, orienta que o produtor faça análise do solo para que a assistência técnica possa recomendar a correção e adubação correta. Escolher bem a variedade a ser plantada é outra tarefa importante. "Na hora do plantio o produtor deve estar definido pela colheita mecânica ou manual, pois a condução da lavoura deve ser baseada nessa informação", lembra Nesi.

O agrônomo chama atenção também para as pragas iniciais. No início de outubro, cerca de 20 a 25 dias antes do plantio da lavoura, é indicado que se faça o plantio isca ou a instalação do tubo mata bicudo nas margens de rios, pastagens e matas. A tecnologia controla o bicudo, uma das principais pragas do algodoeiro. Segundo Nesi, é hora do preparar o solo. Efetuar a primeira dessecação, aração ou subsolagem para eliminar as plantas daninhas. A outra dica é com relação aos financiamentos. Para garantir os recursos do governo o produtor deve procurar a assistência técnica da Coamo e elaborar e projeto.