Opinião

Editorial:
Expectativa de safra promissora 

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

O principal destaque desta edição do Jornal Coamo é a Copa Coamo de Cooperados - futebol suíço, 2001, encerrada no dia 1º de setembro, em Campo Mourão, com uma bonita festa que emocionou milhares de cooperados e familiares, e convidados. A Copa Coamo é um bem-sucedido projeto de lazer e integração que vem registrando sucesso a cada edição e valorizando a família Coamo. Como sempre dissemos, a Copa Coamo é um jeito gostoso de viver o cooperativismo, sendo um evento com a qualidade Coamo, graças ao envolvimento, participação e trabalho de todos: diretoria, funcionários e cooperados.

Mais de 20 mil pessoas prestigiaram o evento nas fases regionais e final. Parabéns a todos os 

 Dr. José Aroldo Gallassini
oito mil cooperados (atletas e dirigentes) que integraram 500 equipes e mostraram talento também em outro campo: o de futebol. Para nós, todos são campeões e muito nos orgulham no maior evento rural esportivo do País. E ficamos muito felizes com a satisfação dos cooperados e em ouvir de muitos que a Copa Coamo é a sua Copa do Mundo.

Saindo dos campos de futebol e entrando nos campos de produção, verificamos que a colheita da safra de inverno está a todo vapor, com o milho safrinha e trigo. A geada de maio e julho atingiu várias regiões, com mais intensidade na região Oeste. Felizmente, segundo levantamento, os prejuízos serão de pequenas proporções. Até o fechamento desta edição não tínhamos informações sobre os possíveis prejuízos provocados pela geada do dia 17 de setembro na região Sul da Coamo. 

Pelos números extra-oficiais, prevemos uma boa qualidade na colheita do milho e uma produção razoável no trigo, já que esta poderia ser bem melhor. Nesta reta final da safra de inverno, vamos torcer para que não haja chuva na colheita e que os cooperados possam concluí-la com sucesso.

Na área de comercialização, estamos contabilizando sucesso na safra de inverno e é isto que esperamos. Os preços naturalmente têm épocas boas e outras não muito favoráveis. Com as altas do dólar no segundo, semestre houve melhora nos preços, principalmente para as lavouras de verão. Isso também trouxe reflexos positivos para as lavouras de inverno, cuja tendência a partir de agora é ter uma leve baixa devido à entrada da nova safra.

Outro fato que interferiu no mercado em setembro foi o ataque terrorista ao World Trade Center, nos Estados Unidos. Além da violência contra gente inocente, o episódio afetou bolsas e prejudicou o mercado internacional. Isso ocorreu justamente num momento em que a economia se encaminhava para uma certa tranqüilidade em termos de real. O problema é que um acontecimento dessa natureza começa a balançar a economia, não só do Brasil, mas de todo o mundo. Uma situação preocupante e condenada por todos. Agora, o mercado fica sem rumo e sem saber o que vai acontecer com relação a uma possível reação dos Estados Unidos e seus aliados contra os terroristas.

Com planejamento estratégico, estamos iniciando o plantio da safra de verão com a cultura do milho. Novamente tivemos a possibilidade de colocar a disposição dos cooperados todos os insumos no prazo certo, com bons preços e venda futura. Pelas informações dos próprios cooperados, o custo dos insumos é o mais baixo dos últimos quinze anos. 

O ano 2001 deverá ser de bons resultados econômicos para a satisfação de todos nós. Vamos esperar e torcer para que as lavouras de verão da safra 01/02 sejam implantadas com sucesso e altas tecnologias. E que tenhamos preços ainda melhores em dólar, já que os atuais estão abaixo dos praticados nos últimos anos. Vamos aguardar e acreditar em uma boa safra de verão, com bons preços e produtividades para garantir a nossa renda e uma maior capitalização do nosso quadro social.

 

Ponto de Vista:

Tendências do cooperativismo internacional

Roberto Rodrigues(*)

É cada vez mais evidente a dificuldade que os Estados têm de resolver os problemas reais das pessoas comuns. Meio algemados pelo fluxo dos capitais - nacionais ou internacionais, que não têm ideologia, raça, religião ou gênero, os Estados são incapazes de eliminar o desemprego, de criar igualdade de oportunidades, até mesmo de ministrar a justiça.

As pessoas esperam soluções - para a segurança, saúde, educação, moradia, emprego, lazer, comida, etc. E estas não vêm. Perdem a esperança. E a confiança nas instituições, nos governos. E reagem de duas formas: a primeira é votando contra, elegendo a oposição. Cada eleição se transforma em um plebiscito, porque aí está a manifestação de desagrado, o troco. É assim no mundo inteiro. Foi na Alemanha, com Schroeder, na França com Jospin, na Itália com Berlusconi, na Áustria, onde ascendeu um admirador do nazismo, na Bulgária, onde, nas últimas eleições, venceu um ex-rei destronado décadas atrás. Foi assim nos Estados Unidos com Bush, no México com Fox, na Colômbia com Pastrana, na Venezuela com Chavez, no Peru com Toledo, na Argentina com De la Rua. Foi assim em qualquer país onde houve eleição recentemente, exceção talvez da Inglaterra.

Mas não resolve, porque os governos também são incapazes, como os Estados. E não porque sejam incompetentes, mas porque são impotentes diante da força, para o bem ou para o mal, do dinheiro espetacular. E a oposição acaba no descrédito: foi assim na cidade de São Paulo, que teve Erundina do PT, depois Maluf e Pitta, ambos do PPB e agora Marta, do PT de novo.

E a outra forma de reagir é protestando ao vivo, através de ONGs, ou de manifestações de massa. Foi assim em Seattle, em Davos, em Praga e, mais recentemente, em Genova, onde até morreu gente. Inocente. Como inocentes são os mortos em atentados terroristas do ETA, do IRA, em metrôs das cidades ditas civilizadas, nas bombas de Nairobi e da Colômbia, no World Trade Center de Nova Iorque.
Sem esperanças, sem perspectivas, vem a infelicidade, o desespero. E a lógica da sobrevivência se sobrepõe a outros valores coletivos. Um velho ditado reza que "em casa que falta pão todo mundo grita e ninguém tem razão".

Como sair desta situação que deteriora as relações humanas, ameaça a democracia e a paz? Talvez a resposta esteja na comunidade. É no município, no bairro, na base social, enfim, que as pessoas sabem quais os problemas e suas soluções. Por que não os resolvem? Porque não estão organizadas adequadamente e esperam o governo. Mas há exemplos disto funcionando, como os cantões suíços, onde o povo, junto com os governos locais, decide a melhor forma de atender às demandas da comunidade.

O moderno conceito desta organização é o dos "clusters", um desencadeamento de interesses econômicos, sociais e até políticos, que administra seus próprios conflitos, de modo a beneficiar todos os elos da cadeia. Na questão da governabilidade, tendo em vista o atendimento dos problemas das pessoas comuns de uma comunidade, todas as forças vivas, devem estar inseridas no cluster. Não apenas as forças da produção - empregados e empregadores, mas as entidades todas da base, inclusive o prefeito, o padre, os poderes constituídos do legislativo e do judiciário, os clubes de serviços, as associações e os sindicatos. E, juntos, encontrarão as soluções necessárias. É claro que tudo isto deve ser alcançado com a inserção das ações locais em um grande projeto nacional.Esta é a responsabilidade do governo federal, e do Estado Nacional: fixar metas sócio-econômicas e políticas dentro de um grande projeto, com começo, meio e fim, com objetivos e métodos, com transparência e clareza.

Aí, o cluster pode atuar, com os pés no chão comunitário e a cabeça no projeto nacional, que, inclusive, deve ensejar a inserção internacional. Pois bem, neste modelo, as cooperativas podem jogar um papel formidável. Podem, mesmo, em muitos casos, ser a locomotiva do cluster. Isto, aliás, já está acontecendo no mundo inteiro. E também no Brasil. Exemplos: em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, uma cooperativa puxa o progresso municipal. Em Chapecó (SC), em Maringá ou Campo Mourão (PR), em Orlândia (SP), em Rio Verde (GO), Rondonópolis (MT), Guaxupé (MG), em qualquer região para que se olha, lá estão cooperativas agropecuárias lastreando o progresso regional. Ou de consumo, como em Santo André, de habitação, como no DF, de eletrificação, em Mogi das Cruzes, de crédito em Guarulhos. Há centenas de exemplos. Milhares no mundo. É uma tendência do cooperativismo mundial, comprometido com as idéias da democracia e da paz.

É claro que nem todas as cooperativas poderão ou saberão cumprir este papel. Isto dependerá fundamentalmente dos seus recursos humanos, em qualquer nível: dirigentes, funcionários, associados. Daí a necessidade de investir vigorosamente na formação de gente, com o espírito solidário e a convicção do modelo cooperativo. Formação massiva, muita gente.

Afinal, 40% da população do planeta está ligada ao cooperativismo, enquanto no Brasil isto é menos que 10%. Porque falta gente. E também porque falta uma legislação adequada, moderna, que não marginalize e sim, permita às cooperativas exercer este papel catalisador nos clusters locais ou regionais.Esta tendência se soma a outras, como a da intercooperação, movimento que fará crescer as relações, inclusive as comerciais, entre cooperativas de diversos setores e de distintos países.

A internacionalização do movimento, com fusões e incorporações, com as cooperativas multinacionais, serão fatores capazes de permitir então aos clusters regionais uma inserção também mundial. E, com tudo isto, estar-se-á encontrado um caminho para o renascimento da esperança - o combustível da vida e da felicidade das pessoas comuns. E, daí, virá o resgate dos valores básicos da equidade, como a solidariedade, que são também os valores básicos do cooperativismo, assim como o pleno emprego, a distribuição da riqueza, a segurança alimentar, a honestidade, a justiça. E o amor, alavanca básica para o desenvolvimento harmonioso.

(*) Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo e agricultor, presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG) e professor de economia rural da UNESP/Jaboticabal. **Artigo condensado da palestra proferida no dia 13 de setembro de 2001 no Seminário de Cooperativismo para Magistrados do Paraná.