Especial
Energia alternativa:
Hidrelétrica garante consumo dos Volski

Família de Pitanga mantém usina há 20 anos e durante mais de uma década supriu a necessidade da fazenda com o sistema

A família Voslki chegou à região de Pitanga no início da década de 70. Na época, a bovinocultura de leite já era uma das atividades principais. A produção crescia, mas a falta de energia elétrica na fazenda limitava a atividade. Os volski chegaram a estudar um contrato para fornecimento de energia elétrica. Mas desistiram, em função dos altos custos de implantação da rede.

A saída foi investir num projeto próprio de
geração de energia elétrica, capaz de suprir as necessidades da fazenda. Depois de conhecer algumas experiências de outros agricultores, eles implantaram uma mini-usina hidrelétrica, aproveitando a boa vazão de água de um rio que corta a fazenda. "O projeto é rústico e manual, mas tem funcionado muito bem", garante o cooperado Neudi Volski. Ele conta que a idéia foi do próprio pai - o cooperado Alcindo Volski. "Não foi fácil desenvolver o projeto", lembra Neudi, considerando que a parte mais difícil foi desviar o leito do rio. "Tivemos muito trabalho para construir a barragem e o canal de condução da água para a casa de força", revela.
A barragem da usina possui aproximadamente dois metros de altura e cerca de 7 metros de comprimento. Já o canal de condução de água percorre uma extensão de 150 metros até chegar à casa de força. O sistema adotado para a geração de energia é simples e consiste em num reservatório de aproximadamente 5 metros
Neudi e Nelso Volski, com a usina ao fundo

de altura que é mantido cheio pela vazão de água do canal. A pressão do reservatório faz girar a turbina e movimenta um gerador de 12,5 KVA.

O gerador produz energia suficiente para manter todas as instalações da propriedade. "Fizemos isso por mais de uma década", conta Nelso Volski. Hoje, segundo o cooperado, parte da energia elétrica utilizada na fazenda - principalmente nas residências, é adquirida da Copel. "Optamos por isso porque a nossa energia é manual e era preciso fazer uma regulagem prévia para não comprometer o funcionamento dos aparelhos elétricos da casa", explica. Mas a usina ainda alimenta os motores mantidos pela leiteria, granja de suínos e iluminação do pátio da sede da fazenda.


Neudi controla manualmente a produção
O consumo da fazenda é regulado de acordo com a necessidade. Através de um controle manual, os Volski ajustam a vazão de água no canal, o que faz a produção ser maior ou menor. O monitoramento da pressão é feita com a utilização de um relógio voltímetro. A rede é baseada em 220 volts, mas 
conforme há aumento de consumo é possível ampliar a carga de energia produzida pela usina.

Com a usina em pleno funcionamento, é possível economizar muito. "Se tivéssemos que pagar por toda a energia que consumimos na fazenda, o custo certamente seria quatro vezes maior que o registrado. É, sem dúvida, um bom negócio que pretendemos manter funcionando", completam.

Atividades - A lavoura é hoje a principal atividade mantida pelos Volski na fazenda. São cerca de 200 alqueires de cultivo. No verão a área é dividida entre a soja e o milho, em esquema de rotação. A produtividade média das culturas, na última safra, foi de 118 sacas de soja e 335 de milho por alqueire.

No inverno, o cultivo é destinado para a manutenção da vacada. A pecuária de leite ainda faz parte dos negócios da família. Hoje são 30 animais em lactação, com uma produção média de 450 litros por dia. Os Volski também implantaram, em parceria com a Coamo, uma granja de suínos, com capacidade para terminação de 360 leitões.