Pecuária

Tecnologia na pecuária leiteira

Colono ganha mais com melhoria da pastagem no inverno

Com pouca terra para explorar, o cooperado Celson Coimbra, de Palmital, escolheu a pecuária leiteira como atividade principal. Mas os negócios não andavam muito bem. O gargalo da produção estava na falta de comida para o gado. Com a pastagem degradada, o custo para suplementar os animais aumentava cada vez mais, enquanto que a produtividade  do rebanho não correspondia
Coimbra (à direita) confere a nova pastagem com o agrônomo Emerson Badoco, da Coamo da Palmital
aos investimentos. Foi quando Coimbra tomou a decisão demelhorar a pastagem gradativamente, começando com a principal deficiência da propriedade: a alimentação do gado no inverno.

Integrante do Projeto Colono da Coamo, o cooperado foi orientado a plantar um consórcio de forrageiras, que além de recuperar o solo também garantiu alimentação farta e de qualidade para os animais durante o inverno. "Fizemos a opção pelo cultivo simultâneo de aveia preta, trevo, cornichão e azevém", conta Coimbra. Ele explica que o consórcio ocupou cerca de meio alqueire da propriedade. "Foi o suficiente para garantir a manutenção dos animais durante o inverno", garante.

No total, o cooperado possui 15 animais, sendo que cinco vacas estão em lactação. Com a melhoria na pastagem de inverno, Coimbra reduziu em 50% o fornecimento de ração no cocho para os animais. Com isso, o custo de produção também foi reduzido. Mas a grande vantagem foi verificada na produção leiteira. "Os animais passaram a produzir cerca de 25% a mais de leite", comemora o cooperado. 

Hoje, os animais chegam a produzir 85 litros de leite por dia, na propriedade de Coimbra. Os resultados estão agradando o cooperado, que decidiu investir na pastagem no ano passado. A meta agora, segundo ele, é recuperar também a área de pastagem perene de verão. "Vamos completar todo o ciclo para evitar que falte comida para os animais e assim melhorar o nosso processo de produção", conclui.

 

Limpeza na granja

Em grandes granjas de suínos, o aparecimento de doenças está relacionado aos níveis de contaminação ambiental que se apresenta, a qual depende do manejo e do programa de limpeza e desinfecção das instalações.

O programa de limpeza e desinfecção de uma granja deve ser desenvolvido de acordo com o sistema de criação presente nas diferentes unidades de produção de suínos e tem influência direta na concentração de bactérias presentes nas instalações.
Existem dois tipos de sistema manejo das instalações, denominadas de: "Manejo Contínuo (MC) e Todos Dentro - Todos fora (TD-TF)".

O sistema de Manejo Contínuo é aquele em que os animais mais jovens entram em baias onde havia animais mais velhos, sem que ocorra um bom programa de limpeza e desinfecção prévia. Os animais mais velhos transferem bactérias para os animais mais jovens e, desta forma, os agentes infecciosos se perpetuam nas instalações e dificilmente consegue-se manter um nível abaixo de um limiar. No caso das maternidades, com a presenças de porcas com leitões recém-nascidos e com leitões mais velhos, poderão ocorrer patologias como diarréias, pneumonias ou artrites e a taxa de mortalidade pode aumentar porque a concentração de agentes patogênicos (bactérias, vírus e etc.), pode ultrapassar o limiar de infecção.

O sistema de Manejo TD-TF é aquele em que há formação dos grupos de animais que são todos transferidos de uma instalação para a outra dentro da granja ao mesmo tempo, semanalmente ou quinzenalmente. Assim, pode-se fazer a limpeza e desinfecção completa e ao mesmo tempo em todas as áreas - tais como sala de parto e creche, quebrando-se, dessa forma, o ciclo de transmissão da flora microbiana dos animais velhos para os mais novos e fornecendo aos leitões um ambiente com concentração de agentes patogênicos praticamente semelhante à de uma granja novas. Com este sistema de manejo pode-se diminuir a ocorrência de várias doenças, como: rinite atrófica, pneumonia enzoótica, colibacilose, doença do edema, sarna, artrites bacterianas, eczema úmida, desenterias e etc.

Programa de limpeza e desinfecção (PLD) - É um conjunto de atividades que visam eliminar das instalações os micróbios capazes de causar doenças. O programa é composto por dois processos distintos:

Limpeza - São ações que visam reduzir a carga de contaminação microbiana e minimizar o contato dos animais com um excesso de matéria orgânica, o qual potencialmente aumenta o risco da veiculação de agentes patogênicos aos animais. A limpeza pode ser dividida em seca e úmida. Para uma instalação ser limpa, deve-se iniciar com a limpeza seca à qual, caracteriza-se pela retirada de cama, resto de ração, esterco, sujeira do piso, paredes e baias. Pode-se também, umedecer as partes, com a água ou com solução detergente, este que possuí ação umedecedora e surfactante, permitindo o aumento da capacidade de penetração da água e o poder de remoção da sujeira e, dissolvendo e saponificando as gorduras, respectivamente, impedindo que a mesma voltem a depositar sobre as superfícies. A velocidade das reações de um detergente pode ser aumentada pelo calor.

Desinfecção - É o processo que consiste no controle ou eliminação de organismos indesejáveis de equipamentos e utensílios limpos, por processo químicos ou físicos, buscando redução da contaminação microbiana. Pode-ser classificado por preventiva e de emergência, adotada quando em surtos de doenças contagiosas. A desinfecção completa só pode ser executada após a retirada dos animais das instalações, permitindo o contato direto com os micróbios e tempo suficiente para agir (vazio sanitário). A eficiência da desinfecção depende de vários fatores, como limpeza, escolha do desinfetante, a concentração e a temperatura da solução desinfetante e o tempo de ação a qualidade da água utilizada. Estes fatores são importantes porque se a superfície não for limpa, o desinfetante poderá ser inativado pela matéria orgânica, que ali possa estar, alem de dificultar a penetração em frestas e cantos.

Paulo Calderon - médico veterinário Detec Manoel Ribas
 

Bovinos:
É tempo de monta


Estamos na fase inicial do período de monta em bovinos, que corresponde às estações da primavera e verão. Nesse período, a produção de forragens tropicais de verão torna-se estável e, com isto, fornecem em quantidade e qualidade.

No caso da pecuária de corte, destinada à produção de bezerros, um manejo correto e estruturado deve ser realizado com as vacas e novilhas que compõem a categoria das matrizes reprodutoras, pois, elas são bastante exigentes quanto a qualidade nutricional dos alimentos ingeridos. Além do próprio desenvolvimento corporal ou manutenção orgânica, as matrizes precisam manter a alimentação de sua cria - o bezerro. Também devem entrar em cio, serem cobertas e desenvolver uma nova gestação. Desta forma, manter um intervalo entre partos de 12 meses em média, produzindo um bezerro por ano.

A estação de monta começa em setembro e vai até janeiro. Nesse período, é preciso o criador estar atento. O déficit hídrico das plantas forrageiras na entrada do inverno e a queda de temperatura, acabaram estacionando o crescimento vegetativo das pastagens. Portanto, deve haver um declínio na quantidade e qualidade das pastagens nessa fase inicial. Isso pode levar a uma baixa eficiência reprodutiva. Diante dessa subnutrição, que já vem desde o início do inverno, a principal conseqüência é a ausência do cio, dificultando a inseminação natural ou artificial das matrizes.

Para se evitar essa situação, recomendamos alguns procedimentos: disponibilizar para as fêmeas em reprodução, os piquetes de pastagens que já possuam neste período um bom crescimento vegetativo e manter o sal mineral protêico energético, utilizado no inverno, até que as pastagens estejam com o crescimento vegetativo estabilizado.

Após a reestruturação das pastagens, o que normalmente deverá ocorrer a partir do mês de outubro, o criador poderá iniciar o fornecimento de uma mistura mineral para o período das águas. Essa mistura deverá conter, no mínimo, 9% de fósforo em sua formulação. A vermifugação deve ser feita imediatamente, para evitar o seqüestro de nutrientes pela espoliação verminótica.

Também é imprescindível as estruturas de creep feeding, para a suplementação alimentar dos bezerros, garantindo às crias um complemento com alimentos sólidos e não só com leite, desgastando menos as vacas que estão amamentando, além de aumentar a disponibilidade de nutrientes no organismo das vacas para a reprodução.
Também é necessário, nesse período, o controle profilático estratégico das doenças infecciosas de cunho reprodutivo, como IBR (Rinotraqueite Infecciosa Bovina), Leptospirose, Campilobacteriose e Brucelose. Esse cuidado preventivo ajuda a manter os índices de fertilidade ideais, ou seja, acima de 90%.

Hérico Alexandre Rossetto, médico veterinário Detec/Campo Mourão.