Opinião
Editorial:
A nova safra de verão e a Copa Coamo

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

Iniciamos com a cultura do milho o plantio da safra de verão 2003/2004 e a partir da segunda quinzena do próximo mês, será a vez da soja, nossa principal “moeda” na cadeia produtiva do agronegócio brasileiro. Em se confirmando as previsões iniciais para a próxima safra, a soja deverá ter na área de ação da Coamo um incremento em torno de 5% e milho, pela movimentação verificada nas aquisições de sementes deste ano, uma redução de aproximadamente 5% na área de plantio.

Com este quadro de tendências de plantio das lavouras de verão, orientamos o nosso quadro social para que analisem bem a realidade atual antes da tomada de decisão para a implantação das suas lavouras e aqueles que estão pensando em diminuir a área de milho, que reflitam e levem em consideração a importância desse cereal não só para o mercado nacional, mas também para o internacional. Outro fator a ser analisado com relação ao milho é o aspecto econômico, já que se cultivado com alta tecnologia, ele responde bem e na maioria das vezes produz resultados superiores aos da cultura da soja. Além disso, o milho também tem a vantagem de ser uma excelente opção para a rotação de culturas, que é uma das relevantes tecnologias para o sucesso da nossa agricultura.

A rotação de culturas deve ser intensificada pelos nossos agricultores e seus benefícios são conhecidos e comprovadamente resultam em melhorias de fertilidade do solo com a incorporação de matéria orgânica e obtenção de produtividades e rentabilidades. Assim, a rotação de culturas constitui-se em uma das mais importantes ferramentas da agricultura moderna, cuja prática precisa ser melhor incrementada pelos produtores. Acreditamos que com a apresentação dessa tendência, possamos colaborar com o quadro social nesse momento de decisão que antecede ao plantio das lavouras de verão.

Dentro do planejamento para uma boa safra, um fator indispensável são os financiamentos, que já estão disponíveis nas agências bancárias - o Banco do Brasil tem sido um grande parceiro dos agricultores. Os financiamentos também podem ser feitos na Credicoamo que está oferecendo repasse para os custeios de soja e milho. Novamente, orientamos os nossos cooperados para financiar a sua safra no sentido de garantir a proteção das suas lavouras em caso de uma possível frustração. Defendemos e reivindicamos junto ao governo a criação de um seguro agrícola, o que infelizmente ainda não se tornou realidade. Mas, enquanto essa nossa reivindicação não é atendida, os produtores devem buscar as melhores opções no mercado entre as empresas privadas e efetivar o seguro visando à proteção das suas safras.

A grande frustração da soja americana divulgada no dia 11 de setembro fez com que as previsões de produção daquele país fossem reduzidas das iniciais 77,9 milhões de toneladas para 71,9 milhões de toneladas, com previsão de redução que pode chegar aos índices em torno de 10%. Essa frustração, que se repete pela segunda safra consecutiva, deve promover alterações no mercado da soja brasileira, com possibilidades de melhoria nos preços na comercialização dos volumes que ainda restam, em torno de 30 a 35%.

No caso do milho a situação é diferente, pois estamos encerrando a colheita de uma grande safrinha, considerada como a segunda safra da cultura. Para surpresa de muitos, o milho safrinha foi colhido em um período de inverno que não teve geada, com grandes volumes de produção e produtividade. Apesar dos preços não estarem bons como em meses anteriores, a tendência é de que eles melhorem com a exportação do milho brasileiro, principalmente devido a quebra de produtividade nas safras européia e americana. Por sua vez, o trigo está em fase inicial de colheita e a geada ocorrida em algumas regiões no dia 11 de setembro poderá reduzir a produção brasileira inicialmente prevista em 4,5 milhões de toneladas. Outra grande preocupação é com relação a importação, já que o Brasil deverá importar cerca de 6 milhões de toneladas para atender a demanda interna. Como tradicionalmente acontece nesta época do ano, o mercado está abastecido e como estamos no começo da colheita a tendência é de que neste período os preços do trigo não sejam os melhores.

Encerramos com muito brilhantismo no dia 30 de agosto, a 7ª edição da Copa Coamo de Cooperados - futebol suíço, um evento da maior importância para a integração da família Coamo. Trata-se de um projeto de esporte e lazer que em 2003 superou novamente as expectativas, sendo considerada uma das melhores edições nos 10 anos de Copa Coamo. Foi realmente uma grande festa, uma festa do cooperativismo e da integração, reunindo mais de 25 mil pessoas, que celebrou e fortaleceu os laços de amizade, união e o trabalho vitorioso de todos: cooperados, diretores e funcionários.

Trabalho esse realizado pela Coamo que vem recebendo o reconhecimento da imprensa especializada e comunidade empresarial. Recentemente, recebemos importantes prêmios em nome da família Coamo, como por exemplo, os outorgados a Coamo pela revista Exame - Melhores e Maiores”, como a “Melhor Empresa do Setor Comércio do Sul do Brasil”, o prêmio “Valor 1000 - Melhor do Setor Agricultura”, concedido pelo jornal Valor Econômico e a “A Granja do Ano - Destaque Cooperativismo”, entregue pela revista A Granja. E mais recentemente, com satisfação, recebemos no dia 10 de setembro, o título de Cidadão Honorário do Município de Mamborê. São premiações importantes que recebemos com satisfação e orgulho, mostrando a força e a valorização da Coamo pelo público. Com a graça de Deus, muito trabalho e dedicação, temos a certeza de que essas homenagens servirão de estímulo para continuarmos a nossa missão na busca incessante de bons resultados em prol da melhoria da renda e produtividades dos cooperados e na superação dos limites rumo aos desafios do futuro.

 

Ponto de vista:
A cooperação através do esporte

Nelson Costa *

Ao participarmos no último dia 30 de agosto, da solenidade de encerramento da 7ª edição Copa Coamo de Cooperados – futebol suíço, realizada no ginásio de esporte da Arcam – Associação Recreativa dos Funcionários da Coamo, em Campo Mourão, tivemos a oportunidade de testemunharmos a efetiva prática da filosofia da cooperação, tendo como pano de fundo o esporte. Como nos primeiros jogos da humanidade, na antiga Grécia, século IX a.C., mais uma vez prevaleceu o espírito da disputa saudável, onde o principal objetivo era o da intercooperação, um dos sete princípios do cooperativismo.

Nos jogos da antigüidade, os vencedores recebiam honras em toda a Grécia. Memoriais eram erguidos para eles, poemas e cantos eram escritos em sua homenagem. Eles não recebiam presentes nem prêmios, troféus nem medalhas. O símbolo de honra suprema era uma coroa de ramos de oliveira. De acordo com a lenda, certas cidades demoliam parte suas muralhas para dar passagem aos seus atletas vitoriosos, querendo mostrar que, com tais homens, não necessitavam de fortificações. As estátuas dos mais ilustres vencedores eram erguidas no recinto sagrado de Altis, como era conhecido o conjunto do santuário de Olímpia com seus templos e demais prédios.

Porém, o significado de Olímpia e dos outros grandes jogos era bem maior do que as honras individuais dadas aos atletas que lá competiam. Esses jogos contribuíram para a criação do sentido de unidade entre os estados gregos que na época brigavam entes si. Essa contribuição pode ser melhor avaliada pelo fato que nenhuma guerra era empreendida no decorrer do jogos. Naquela época o objetivo principal era o da Paz.

Esta 7ª edição Copa Coamo de Cooperados – futebol suíço, como nos jogos olímpicos também cumpre seu papel de integrar, unir, através da competição, preservando valores e conceitos fundamentais no convívio da cooperação. A preocupação com a cidadania, com o meio-ambiente, com o bem-estar-social, com a qualidade de vida dos cooperados, funcionários, comunidade, clientes, fornecedores e consumidores de seus produtos, faz parte da cultura da Coamo há décadas.

O incentivo a prática do esporte é hoje uma ação efetiva e que tem como objetivo básico integrar a cooperativa em seu meio, criando convívio saudável e amigo, referência para que os outros passem a fazer o mesmo, ou seja, criar seguidores pelo país afora. A Coamo, ao tomar a decisão de promover o seu torneio esportivo, hoje o maior do Brasil, o fez com o intuito de tornar cada vez mais o seu quadro de cooperados harmonicamente unidos, como uma orquestra, onde cada um tem sua responsabilidade para que o todo não desafine. Assim é a Coamo, assim deve ser o cooperativismo. A união de todos no esforço de cada um.

Hoje, a Copa Coamo é referência. Muitos são os contatos feitos por cooperativas de todo o País para saber como tudo acontece. Tornar-se referência em algo, é desejável para qualquer empresa, em produto, em marca e também no esporte e no lazer. E a Coamo consegue isso, como sua marca no cooperativismo, na exportação e na interação dos sócios através do esporte na Copa Coamo de Futebol Suíço, uma ação de responsabilidade social. Ações como essa agregam valor ao cooperativismo paranaense, à Coamo, uma cooperativa brilhante que cria amigos há 35 anos e que a cada dia vem criando seguidores. Parabéns.

* Engenheiro agrônomo e superintendente da Ocepar e do Sescoop-Paraná