Editorial:
Todas as fichas na próxima safra ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, DIRETOR-PRESIDENTE DA COAMO
Numa rápida avaliação, pode-se dizer que o ano de 2005 vem sendo um dos mais difíceis para a agricultura brasileira. E este já é o segundo ano consecutivo em que esta situação prevalece, diante da estiagem enfrentada pelas lavouras e da redução dos preços d os produtos agrícolas. Por outro lado, tem a influência negativa da política econômica do governo federal, que valorizou demais o real, em detrimento do dólar. Com o dólar baixo demais, alguns produtos tiveram os seus preços achatados em até 50%. Tudo isso e mais o alto custo de produção: quando compramos os insumos da safra 2004/2005 o valor do dólar variava entre R$ 3,15 a R$ 3,20, e agora estamos vendendo a produção a R$ 2,27, ou seja, quase R$ 1,00 abaixo, por dólar.
Todos estes fatores representam, juntos, uma expressiva queda na rentabilidade do produtor rural. Mesmo os que colheram bem a safra ficaram descapitalizados. E agora também tem a situação do trigo, que apesar de não sofrer com geada foi prejudicado pelo retardamento do plantio, também por motivo de seca, e agora pela chuva na colheita.
Ainda sobre a comercialização da safra, é bom lembrar que a soja não tem problema de liquidez na venda. Temos mercado, só que com preço baixo. Por sua vez, o milho e trigo não possuem mercados garantidos. No caso do milho, por exemplo, existe grande oferta, uma vez que tivemos uma safrinha de qualidade e quantidade. Assim, o milho do Centro-Oeste entrou na Região Sul com preço muito baixo, o que paralisou a comercialização, tanto na safra de verão, quanto a safrinha. Então praticamente não há compradores. O caso do trigo, que começa a ser colhido, deveria ter uma comercialização tranqüila, mas os preços estão proibitivos. Não cobrem o preço de comercialização e não tem compradores. Temos feito reuniões com o governo para encontrar algumas formas de solução. Uma delas seria o governo comprar, retirar do mercado pelo menos 1 milhão de toneladas de trigo, em AGF - Aquisição do Governo Federal, ou em forma de Contratos de Opção. Então, até o momento, não há definição para a comercialização do trigo.
Mas nem todas as notícias são ruins. Com a chegada da primavera e a retomada das chuvas, o ânimo dos cooperados voltaram e os trabalhos de plantio da próxima safra estão intensificados. Para este verão, houve um bom planejamento do produtor rural e com a redução nos custos dos insumos que conseguimos repassar aos nossos cooperados. Na média, a redução ficou em 26% para o adubo e 24% para os defensivos agrícolas. A semente também teve redução de preço, em relação ao ano passado. Assim, já se pode enxergar um custo de produção compatível com os preços atuais, principalmente no caso da soja.
Desta forma, se nos tivermos uma grande safra e uma melhora de preços, que pode ser a valorização do dólar, já teríamos um bom nível de preço para os nossos produtos. Como os cooperados sabem, no mercado internacional, no caso da soja, os preços estão próximos da média, ou seja U$ 11,38. Então os preços internacionais estão normais para a soja, mas o que está ruim é o preço do dólar em real.
Outra boa notícia é que tivemos a realização dos recursos do FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador, que são recursos do governo federal. A Coamo conseguiu renegociar com os cooperados, onde cerca de 10% dos cooperados fizeram prorrogações. Assim, estamos fazendo contrato definitivo para que os cooperados tenham juros menores e dois anos para pagamento. Isso também virá em benefício dos cooperados que terão mais facilidade em pagar os seus financiamentos. Desta forma, entendemos que estamos partindo para as soluções do problema. O que precisa agora é ter um ano 2005/2006 de grande safra e preços, que pelo menos cubram os custos de produção e dêem um lucro a todos nós produtores.
E como é tradição na Coamo, nesses 35 anos, realizamos neste mês as Reuniões de Campo. Agora em numero de 40 reuniões em toda cooperativa, no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Para nós foi uma satisfação muito grande, uma vez que tivemos uma grande participação do quadro social em sintonia com as informações colocadas com toda a seriedade, como se faz sempre. Assim, acreditamos que as reuniões foram muito aproveitadas, com uma grande participação, de maneira que, dessa forma, a Coamo tem tido muito sucesso, porque leva duas vezes por ano a todo o quadro social uma situação real do período. Nas reuniões do 2º semestre, levamos uma retrospectiva de janeiro a agosto/setembro, com tudo o que aconteceu e a respeito e comercialização, plano safra do governo, custo de financiamento.
E na parte de esporte e lazer, tivemos neste mês a realização da fase final da Copa Coamo 2005. É um evento de grande importância no quadro social e muito esperado. Neste ano, tivemos a presença de 500 times, 7.500 atletas e mais de 25 mil pessoas envolvidas em todas as 7 regionais e no final, no dia 10 de setembro, que contou com a participação de 32 equipes campeãs regionais. O título ficou para a equipe Linha Boa Esperança, de Dez de Maio, na região de Toledo.
Como sempre digo, a Copa Coamo é um projeto de lazer que deu certo. A tradição do torneio é a alegria e a integração entre o quadro social e seus familiares. Destaque, neste ano, para a abertura da fase final, que emocionou a todos. É um evento que a gente deve continuar a ter e que deve ser melhorado a cada nova edição. |