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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 354 | Setembro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Pecuária

Doenças reprodutivas em bovinos

A vacinação e o acompanhamento sanitário dos animais novos inseridos no rebanho são formas eficazes de controle

As doenças infecciosas reprodutivas dos bovinos, quando não prevenidas ou tratadas a tempo podem causar enormes prejuízos para o criador, seja com bovinos de corte ou leite. Quem alerta é o médico veterinário Lupércio de Antonio Júnior, do Laboratório Pfizer, que falou sobre o tema, recentemente, em Pitanga (Centro do Paraná), em encontro sobre pecuária, realizado pelo Coamo. O técnico chamou a atenção para o transtorno que estas doenças causam na propriedade, como o aumento de intervalo entre partos; menor produção de bezerros e de leite, que são resultantes de uma má concepção, por conseqüência dessas enfermidades.

O veterinário orienta que o criador não deve abrir mão de um profissional que o auxilie em todo o trabalho de sanidade e nutrição na fazenda. “Uma forma eficaz de se controlar a existência dessas doenças no rebanho é através da vacinação e do acompanhamento sanitário dos animais que são adquiridos e inseridos no rebanho presente na propriedade. A vacinação é a prevenção. Você deixa de gastar dinheiro mais tarde, no trato dos animais”, explica. Para Lupércio Júnior o criador não pode encarar a vacina como um custo para a propriedade mas sim um investimento que vai protegê-lo de problemas futuros.

Integração – Uma alternativa que vem fazendo a diferença nas mais diversas regiões onde a Coamo atua e que a cada dia é aderida pelos produtores assistidos pelo Detec da co-operativa é a integração agricultura-pecuária. A tecnologia vem sendo estudada cientificamente e implantada pela Coamo há mais de sete anos na Fazenda Experimental, com excelentes resultados. Conforme o médico veterinário Hérico Rossetto, todos os produtores que implantaram o sistema no seu esquema de produção, seguindo as orientações técnicas de forma correta, estão tendo ótima rentabilidade. “Tanto a produtividade gado de corte como as das lavouras foram incrementadas com o sistema em torno de 15 a 20 por cento, sem contar a diminuição de riscos que o produtor deixa de correr nos períodos de inverno com as lavouras”, salienta Rossetto. Ele observa que a cada ano aumenta o número de produtores que aderem ao sis-tema, bem como os que aumentam as áreas para o sistema dentro da propriedade. “No futuro a integração vai entrar como forma de diversificação nas propriedades e boa parte das propriedades terão uma pequena parcela com esse sistema”, prevê o veterinário.

O técnico da Coamo também palestrou no encontro, realizado em Pitanga. O tema chamou a atenção dos quase duzentos produtores no evento. Ele reforçou a importância do evento, que certamente vai fomentar o atividade na região. O encontro teve justamente o objetivo de evoluir tecnicamente as propriedades rurais, principalmente no quesito gestão e desenvolvimento sustentável da atividade e aumentar a eficiência dos rebanhos de corte e de leite.

O médico veterinário Leandro Teixeira, do Detec da Coamo, lembrou que o encontro será realizado anualmente, no mesmo período. Ele destacou o interesse dos cooperados pelo tema e disse que a realização do encontro surgiu da uma idéia em otimizar o sistema de produção das propriedades rurais em Pitanga, principalmente na parte de gestão e melhoramento sanitário. Para Teixeira o encontro despertou nos agropecuaristas da região o interesse pelo aprimoramento da propriedade em cima da tecnologia.

Eficiência na ponta da língua – Desequilíbrios minerais em bovinos criados a campo já foram observador em quase todas as regiões do mundo. Deficiências de minerais são comuns em bovinos em pastejo no Brasil. Esses desequilíbrios são responsáveis por baixa produção de carne, leite, problemas reprodutivos, crescimento retardado, abortos, fraturas e queda da resistência orgânica. Tanto a deficiência severa, acompanhada por taxas de elevada mortalidade, como as deficiências subclínicas, cujos sintomas não são perceptíveis clinicamente, podem levar a perdas consideráveis na produtividade. 

De acordo com o médico veterinário Rogério Folha Bermudes, professor doutor em Nutrição Animal, da Faculdade Integrado, de Campo Mourão, não basta apenas fornecer o sal mineral no coxo, mas também escolher um produto de qualidade e com a composição adequada para a categoria animal que irá ingeri-lo (lactação, pré-parto, novilhas ou de corte). Ele lembra que existe no mercado uma grande quantidade de sal mineral, muitas vezes com enormes variações de preços e que nem sempre são eficientes. “O fornecimento do sal mineral de forma errada vai, com certeza, alterar a eficiência do anima, podendo trazer prejuízos relevantes para o criador. O ideal é observar a fonte de fósforo adequada para alcançar o desempenho natural. O barato pode sair bem caro”, alerta.

Rogério Bermudes sugere que o sal mineral também seja adicionado na ração, forçando sua ingestão, e não somente no coxo. “Quando disponibilizado apenas no saleiro, á pasto, o sal mineral fica a mercê do tempo e pode tomar chuva e sol e ficar úmido. Esse destempero do clima endurece o produto, o que faz com que o animal não lamba”, orienta Bermudes.

Fala Cooperado:

Anselmo Coutinho Machado – “Temos que enaltecer a iniciativa da Coamo em realizar este evento. Foi uma grande oportunidade proporcionada para nós, produtores rurais de Pitanga, buscarmos tecnologia e eficiência”.
Milton Nicareta – “Valeu a pena participar e ficar por dentro das novidades, uma vez que na pecuária a evolução tecnológica é bastante grande. Hoje tivemos a oportunidade de aprender um pouco mais”.

Aftosa: vacinação em novembro

A segunda etapa da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa será realizada de 1º a 20 de novembro. Em maio passado, no Paraná, a primeira etapa da campanha imunizou 99% do rebanho bovino do Estado. “Nosso objetivo é sempre vacinar 100% do rebanho, mas nem sempre isto é possível. Vamos trabalhar para atingir essa meta e garantir que o Paraná fique livre da doença, que já causou tanto prejuízo”, afirma a médica veterinária Márcia Maria Stangler Bezerra, do Núcleo Regional da Seab em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Ela lembra ainda que todo o rebanho bovino e bubalino deve ser vacinado, desde recém nascidos até os adultos.

Comprovação – O criador deve comprovar a vacinação do rebanho através da nota de compra da vacina e da relação de animais vacinados. Em breve as vacinas estarão a disposição nas farmácias veterinárias. A Coamo, a exemplo dos anos anteriores, estará preparada para atender os criadores, na demanda por doses de vacinas.

Balanço positivo – Passado o tumulto do aparecimento de focos de aftosa em outubro de 2005, no Mato Grosso do Sul, as exportações de carnes bovinas do Brasil alcançaram novo recorde histórico de faturamento no mês de agosto, somando US$ 403 milhões, conforme balanço divulgado no último dia 11 de setembro, pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A associação destaca que é um novo recorde e está bem acima do melhor mês do setor que foi em julho de 2006, quando a receita foi de US$ 355 milhões. O faturamento de agosto representou crescimento de 18% sobre o mesmo mês do ano passado, 15% sobre o recorde de julho deste ano e o crescimento no acumulado dos oito primeiros meses já é 15,93% sobre o resultado do mesmo período acumulado em 2005.

Produção mais estável com inseminação

Técnica apresenta vantagens sanitárias e zootécnicas, comparando com a monta natural, garante técnico do Senar-Paraná

Na pecuária de corte, a ex-ploração comercial do sistema de cria se constitui no manejo não só das matrizes bovinas e seus respectivos bezerros até a desmama, mas também das novilhas de reposição e dos touros. Esse sistema tem por objetivo a produção de bezerros desmamados, que representa a maior fonte de receita no sistema de corte, ou de vacas de leite de qualidade. Portanto, a viabilidade do sistema vai depender da eficácia e eficiência com que são utilizados os meios disponíveis para a otimização da produtividade.

Um dos meios mais modernos e eficazes de interferir positivamente na reprodução dos animais é através da inseminação artificial. Comparando com a cobertura natural, esta técnica apresenta vantagens consideráveis, tanto de ordem sanitária como zootécnica, permitindo evitar as doenças transmissíveis pela cobertura; melhorar as produções da descendência, mediante a utilização de sêmen de touros testados geneticamente; garante a continuidade do ciclo reprodutivo, além de não ser necessário possuir touro para garantir a reprodução.

O médico veterinário Antonio Carlos Queiroz, instrutor do Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, diz que mesmo com a dificuldade vivida pela pecuária brasileira o produtor não deve desanimar e deixar de se tecnificar, buscando o melhoramento genético e a eficiência produtiva e reprodutiva do rebanho, seja de gado de corte ou de leite. Ele explica que uma das vantagens da inseminação artificial é que ela traz para a propriedade o monitoramento da reprodução e com a utilização de touros geneticamente é possível alcançar índices melhores no desempenho de animais nascidos através do sistema. “Em caso de produtores de leite, as filhas dessa técnica serão mais produtivas e animais de corte serão mais precoces, e alcançarão mais cedo o peso ideal para o abate. São apenas algumas das várias vantagens que a inseminação trás para o rebanho e é claro, principalmente para o criador”, comenta.

Queiroz esteve em Campo Mourão recentemente, onde ministrou um curso de inseminação artificial para produtores e seus funcionários. Solicitado pela Coamo, em parceira com o Senar, Sindicato Rural e Prefeitura Municipal, o treinamento foi realizado durante uma semana no recinto do Parque de Exposições. Segundo o veterinário a tecnologia esta ao alcance de qualquer classificação de produtor, seja ele pequeno, médio ou grande. E o melhor, além de ser uma técnica barata, existem produtores que estão abatendo animais com até um ano antes dos demais, revela o instrutor.

Tecnificar ainda mais os pecuaristas, proporcionando maior desempenho ao plantel e consequentemente maior renda na propriedade, e capacidade de competitividade no mercado. Estes foram os principais objetivos do evento, realizado pela primeira vez no município. Para Queiroz, o treinamento possibilitou um maior aprimoramento técnico dos criadores, que a partir de agora estarão melhores informados sobre uma técnica comprovadamente eficaz para o aumento da produtividade da pecuária, entre outros benefícios.

O cooperado Edemir Motim, por exemplo, de Campo Mourão, disse que o treinamento veio para somar no aprendizado do produtor, que teve uma oportunidade ímpar de avançar no aspecto tecnológico da pecuária moderna. “Hoje a saída é investir em tecnologia, seja na agricultura ou na pecuária. E esta é, de fato uma grande oportunidade que nos foi proporcionada. Só assim, buscando informação e investindo em genética e melhoramento animal que vamos ter um rebanho produtivo e agregar lucro para a nossa atividade. Não adianta mais trabalhar com gado de baixa qualidade. Temos que ser cada vais mais profissionais”, relata Motim.

Palestra sobre  suinocultura em Nova Santa Rosa

O entreposto da Coamo em Nova Santa Rosa (Oeste do Paraná) realizou dia 6 de setembro uma reunião que debateu a suinocultura como tema principal. Sessenta pessoas participaram do encontro, que teve como ponto alto uma palestra com o médico veterinário Rogério Paulo Tovo, do Projeto de Suinocultura da Coamo.

Tovo destacou as quatro áreas onde a Coamo está atuando e pode auxiliar os criadores. São elas: compra de insumos para suínos, sanidade, genética e nutrição animal. O veterinário também lembrou das dificuldades vividas pelo setor, atualmente, diante da baixa remuneração proporcionada pela suinocultura, e orientou os produtores rurais sobre como estas questões podem ser solucionadas. “As margens da suinocultura estão menores, mas com a profissionalização do setor produtivo, atuando principalmente na redução dos custos de produção, a atividade torna-se mais rentável”, indicou Rogério Tovo.