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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 354 | Setembro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Safra de Verão

Aprimorando o cultivo do milho

Detec de Cândido de Abreu orienta melhor posicionamento dos híbridos de milho e cooperados crescem em produtividade

A região de Cândido de Abreu, no Centro do Paraná, é conhecida pela sua topografia variada. Dentro do município, as áreas de cultivo podem variar de 460 a 1.100 metros de altitude. Esta condição vinha limitando o investimento dos agricultores na produção do milho, considerada a principal lavoura plantada durante o verão, ao lado do feijão. “Na verdade, o grande problema estava no posicionamento dos materiais plantados na região. Os híbridos, muitas vezes plantados em condições não ideais, não expressavam o máximo dos seus potenciais, o que desagradava os produtores”, explica o engenheiro agrônomo Delvanei de Souza Droppa, do Detec da Coamo em Cândido de Abreu.

Preocupada com esta questão, a Coamo implementou, na safra 2004/05, uma proposta pioneira de melhoria da produtividade do milho cultivado em Cândido de Abreu. O resultado não poderia ser melhor. Depois de duas safras os produtores estão trabalhando melhor com o leque de opções para o cultivo do milho e, mais conscientes da importância do bom planejamento da safra e investimentos na lavoura, garantindo uma produtividade média, final, entre 20% a 25% maior.
Primeiro passo –  Com o apoio das empresas parceiras, a cooperativa realizou reuniões técnicas e dias de campo para demonstrar a importância da escolha dos materiais para o plantio. “O passo seguinte foi fazer uma revolução no posicionamento dos materiais, indicando os híbridos específicos para cada região, conforme as condições de clima e solo”, revela Droppa. Novos materiais, segundo ele, foram incorporados entre as opções de cultivo. “Das antigas opções, somente 5% dos materiais foram mantidos”, informa o agrônomo.

Experimentos – Os próprios cooperados, orientados pelo Detec da Coamo em Cândido de Abreu, conduziram os experimentos mostrados nos dias de campo. Os testes, nas últimas duas safras, foram realizados em dez propriedades, nas diversas regiões e variações topográficas do município. Cada material foi testado em um hectare de área. Com exceção da semente e dos produtos químicos, os custos dos experimentos, dentro da tecnologia preconizada pelos técnicos da Coamo, ficaram por conta dos cooperados, que depois compararam os resultados com os demais alcançados no restante da lavoura.

O cooperado Claudemir dos Santos Peruzzi, que possui a sua propriedade na região de Faxinal Santo Antonio, a 900 metros de altitude, conta que o trabalho foi um divisor de águas. “Para mim, existe o antes e o agora. E hoje percebo que a tecnologia trabalha a favor do produtor rural. Seguindo este conceito, só tenho a ganhar”, comemora.

Nos 12 alqueires de milho que cultivou na safra passada, Peruzzi colheu uma média de 280 sacas por alqueire. Dentro do experimento, realizado três hectares da sua propriedade, a produtividade média foi de 388 sacas por alqueire. “Foram 180 sacas a mais, só com pequenos ajustes no planejamento da lavoura. Resultado que compensa muito”, salienta.

Crescimento – Na região de Ubazinho II, que fica a 520 metros de altitude, os resultados também foram positivos. O cooperado João Adriano Bida plantou 20 alqueires de milho na última safra, dos quais 1,2 alqueire foram destinados à experimentação orientada pelo Detec da Coamo. A produtividade média da área comercial foi de 180 sacas por alqueire, enquanto que na área de teste o crescimento foi de 36%, fechando a colheita com uma média de 246 sacas por alqueire. “Estou na região há 36 anos, mas sempre tive receio de investir na lavoura de milho por causa dos custos. Mas hoje, com estes resultados, não tem como não investir na produção. É lucro certo”, garante.

Cereal equilibra a propriedade rural

Com boa produtividade, a lavoura de milho é sempre um bom negócio para os agricultores de áreas propícias ao cultivo

O milho é um dos cereais mais importantes dos cultivados no mundo todo. A cultura tem mais de cem utilidades no mercado interno e externo e na propriedade rural pode ser considerado como um fator de equilíbrio.

Há séculos, o milho vem sendo utilizado diretamente na alimentação humana e de animais domésticos, bem como na indústria para a produção de rações, cola, amido, óleo, álcool, flocos alimentícios, bebidas, além de outros produtos.

A produção de milho tem crescido, porém, o consumo tem aumentado mais que a produção. A transformação desta situação somente poderá ser conseguida com o uso de tecnologia e orientação técnica segura no planejamento, plantio e condução da lavoura, as quais nem sempre estão relacionadas ao aumento do custo de produção. Portanto, desde que o agricultor consiga uma boa produtividade, o milho será sempre um bom negócio.

Planejamento da cultura – O planejamento de qualquer atividade agrícola é fundamental para a obtenção de sucesso e lucro, pois a sua realização detalhada facilitará o manejo eficiente da lavoura, possibilitará o aproveitamento máximo de máquinas, implementos, insumos e mão-de-obra disponíveis, além de poder evitar a ocorrência de imprevistos. O planejamento e os preparativos para a cultura devem iniciar pelo menos três meses antes do plantio. Dentre os vários pontos a serem observados antes da implantação da cultura do milho, destacam-se: o conhecimento das necessidades climáticas da cultura e das características da região (tipo de solo, altitudes, época de plantio, fertilidade); rotação de culturas; correção da fertilidade (calagem, macro e micronutrientres) de acordo com análise de solo; implantação de uma pré-cultura no inverno favorável ao milho; escolha e aquisição das cultivares próprias para a região; manutenção e regulagem dos equipamentos (plantadoras e pulverizadores); dessecação antecipada; plantio em boas condições técnicas e operacionais (umidade, velocidade e profundidade); stand adequado para o hibrido, levando em consideração época de plantio, fertilidade do talhão e nível de investimento; adubação equilibrada de acordo com analise de solo e produtividade prevista; controle de ervas invasoras e insetos pragas no momento certo; e colheita sem perdas.

Exigências climáticas – O milho é uma planta característica de clima tropical, ou seja, exige calor e umidade para produzir satisfatoriamente e proporcionar rendimentos compensadores. Assim, a cultura pode se desenvolver bem em locais que apresentem as seguintes condições: boa distribuição de chuva (entre 900 a 1.100 milímetros durante seu ciclo); dias quentes (temperatura média diária verão maior que 19 º C); noites frescas (temperatura média noturna maior que 12,8ºC e menor que 25ºC); solo com temperatura maior que 10ºC para germinação.

A não ocorrência, próximo e durante o florescimento, de temperaturas altas (maiores que 30ºC), falta de água e nem temperaturas menores que 15ºC, para não prejudicar a produção. Deve-se lembrar que, independentemente da tecnologia e das técnicas recomendadas , a condição climática em que a cultura permanece no campo pode ser considerada como um dos principais fatores responsáveis pelo aumento ou redução da produção. As maiores exigências de umidade da planta de milho ocorrem nas épocas de germinação, florescimento e enchimento de grãos. A falta de água na ocasião do pendoamento pode provocar uma perda de produção ao redor de 50-60%, ao passo que depois da polinização (até 15-20 dias) pode-se observar queda aproximada de 30%.

Resultados – A produtividade está relacionada com potencial produtivo do hibrido ou variedade, somando-se ambiente e manejo. Os componentes da produtividade são números de espigas por área, números de grãos por espigas e peso de grãos.

Estresses podem causar redução do número de espigas, redução do número de fileiras, redução do número de grãos na fileira, parte do sabugo sem grãos e redução no tamanho e peso de grãos.

Esses estresses podem ser causados por insetos pragas, ervas invasoras, falta de umidade, temperaturas baixas ou altas, fito toxidez de herbicidas e qualidade de plantio.

O tamanho e a posição dos grãos na espiga e a quantidade de grãos produzidos indica quando essa espiga esteve sujeita ao estresse e a severidade. O conhecimento sobre o desenvolvimento da espiga ajuda na determinação da época de ocorrência do estresse. Este conhecimento auxilia na pratica de manejo para diminuir os estresses futuros, levando o aumento de produtividade.

Colaboração: Detec Pinhão

Tecnologia e bons resultados em Fênix

Lançar mão de um bom pacote tecnológico e conduzir a atividade agrícola com profissionalismo, sempre buscando informação e qualificação para verticalizar a produção. Esta é a filosofia de trabalho do cooperado José Ni-valdo Mota, de Fênix (Vale do Ivaí, no Paraná).

Parceira da Coamo há 20 anos, ele diz que sem a cooperativa seria impossível seguir na atividade, com desenvolvimento. “Meu pai e meu sogro eram cooperados e eu segui o caminho deles”, revela.

Nos 97 alqueires que conduz, sendo 24 próprios, ele planta soja e milho safrinha, que aliás acabou de ser colhido, com produtividade média de 175 sacas por alqueire. Com a soja, no verão passado, Mota alcançou 125 sacas por alqueire de média, mesmo com a estiagem. No momento toda a área de plantio já esta pronta e aguardando a época certo para o início do plantio da soja.

Para manter a produtividade, mesmo com clima adverso, Mota diz que segue as recomendações e procura devolver ao solo o que tira dele. Baseado em análises periódicas, o cooperado investe na fertilidade do seu solo, com correção e adubação de todo sistema. “Precisamos ser melhores profissionais. Já que não podemos controlar o clima temos que manter nosso solo equilibrado para suportar adversidades, se elas ocorrerem. Só assim, vamos manter o nosso negócio em alta. Não adianta ficar reclamando da falta de chuva ou do governo. A saída é trabalhar; acreditar naquilo que você faz e fazer bem feito”, salienta Nivaldo Mota.

O engenheiro agrônomo Luciano Rodrigues, encarregado do Detec da Coamo em Fênix, diz que o produtor é um dos bons exemplos para a região. “Aqui na propriedade dele já está tudo programado para o plantio da próxima safra. As cultivares estão escolhidas e a adubação será feita de acordo com cada talhão”, revela Rodrigues. O cooperado, segundo ele, segue as recomendações e sempre troca idéias com a assistência técnica. “Assim fica mais fácil para trabalhar e alcançar o resultado planejado”, destaca o técnico.

“Se o produtor não busca informação acaba ficando para trás”, comenta o agrônomo. “Basta que ele queira incrementar o resultado e terá todas as ferramentas para isto”, conclui.

Estiagem em debate

“É nos períodos em que o regime pluviométrico se normaliza que os produtores devem se preparar para enfrentar épocas de estiagem”. A afirmação é do agrometeorologista Rogério Teixeira de Faria, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), coordenador técnico do seminário “Riscos Climáticos e Estiagem no Paraná”, realizado dia 27 de setembro, em Londrina.

De acordo com Faria, o Paraná situa-se em uma área de transição climática e, por isso mesmo, está sujeito a oscilações que fogem da “normalidade” esperada para cada estação do ano. “Podemos enfrentar estiagens em qualquer época”, afirma. Segundo o pesquisador, “há uma série de tecnologias preventivas e de fácil adoção pelos produtores para minimizar os impactos na propriedade”, explica.

No encontro, também houve debates sobre a evolução do clima no Estado e um painel sobre políticas e estratégias para enfrentar as estiagens.