barra Site Coamo barra
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 365 | Setembro de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Alternativa

Sabor do lucro nos morangos dos Baretta

De alternativa, produção passou a ser a principal atividade entre os negócios da família, respondendo por 60% da renda anual

O solo arenoso da região de São Geraldo, em Araruna (Centro-Oeste do Paraná), compôs um cenário ideal para a família Baretta investir pesado na produção de uma fruta pequena, mas de grande expressão comercial: o morango. A atividade passou a fazer parte do trabalho há 12 anos, em uma das propriedades da família, como alternativa de aumento de renda, e ganhou força nas últimas safras, diante da boa procura no mercado. Com uma boa produtividade e qualidade, os Baretta experimentaram o doce sabor do lucro. E de alternativa, a atividade passou a ser a principal entre os negócios da família, com os morangueiros respondendo, hoje, por 60% da renda anual da propriedade.

 

A família já trabalhou com o cultivo da horticultura, atendendo os mercados de Campo Mourão e região. A experiência nesta área ajudou na montagem de um projeto de parceria com a comunidade de São Geraldo, o que garantiu mão-de-obra segura e de qualidade. São 25 pessoas que auxiliam a família na safra de morango, entre o plantio, a colheita, a seleção, embalagem e distribuição do produto.

Esticar a safra – Com a concentração das ações na construção de um resultado mais interessante para a propriedade, os Baretta trabalham, basicamente, buscando a qualidade dos processos, sem descuidar, é claro, da produtividade. “Nossa preocupação sempre foi investir na tecnologia. Buscamos as novidades geradas pela pesquisa nacional e internacional, testando novas variedades que possibilitem, principalmente, ampliar o período de colheita da safra, esticando o rendimento dos morangueiros, com qualidade”, revela Arquimedes Baretta, o patriarca. Enquanto ex-punha as informações, o cooperado demonstrava os canteiros de morangueiros, sempre vermelhos e com um visual apetitoso.

Na região de São Geraldo, o morango é implantado no mês de março e a colheita é iniciada em julho, estendendo-se até setembro. “A nossa meta – e estamos trabalhando para isso, é prolongar, através do incremento tecnológico, a colheita do produto até os meses de outubro/novembro, garantindo mais mercado”, acrescenta o cooperado.

Mesa e indústria – Entre as variedades de morangueiro cultivadas pela família Baretta estão duas novas, trazidas da Califórnia, nos Estados Unidos: o caso do Camino Real e o Aleluia, exclusivamente para o consumo in-natura (morangos de mesa. Outras duas variedades já estão em produção no sítio da família e atual-mente são o carro-chefe da safra. São elas: o Dover, que divide espaço entre a mesa e a indústria, e o Oso Grande, direcionado exclusivamente para mesa. Ambas também são provenientes dos Estados Unidos.

Mercado – O Paraná é o principal mercado consumidor dos morangos produzidos pelos Baretta. Entre as regiões que compram os frutos está a de Guarapuava, Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu. “Nesses 12 anos verificamos que o mercado é crescente e está em busca de novidades para seus clientes. Por esta razão é que buscamos sempre inovar para atender o mercado conforme a demanda”, pondera o produtor.

Qualidade e produtividade – Na propriedade dos Baretta, em Araruna, o cultivo do morango ocupa, no total, 7 hectares de área. São, aproximadamente, 350 mil pés de morangueiro. Todos os canteiros recebem irrigação subterânea, que, além da água, também leva os nutrientes necessários para as plantas. Nesta safra a produção deve ser fechada em 250 toneladas de morango, superior em cerca de 30% a alcançada no ano anterior. “A nossa meta para o próximo ano é chegar a uma produção média de um quilo de morango por pé, com a implantação das novas tecnologias”, sustenta Arquimedes Baretta.

Ele revela que neste ano, somente para o consumo in-natura, foram comercializadas 80 mil caixas de morango, com média de 1,2 quilos por caixa, um volume 25% maior que o vendido na safra anterior.

No sítio, em Araruna, o trabalho na produção de morangos é dividido entre os membros da família. São três gerações no cultivo: o avô, Antoninho; o pai, Arquimedes; e o filho Agner, que é formado em agronomia e responde pelas inovações tecnológicas implantadas na lavoura de morango. O trabalho de seleção e embalagem conta com a coordenação da esposa Maria Lúcia e da nora Marciane.

Produção agrícola

O trabalho do cooperado Arquimedes Baretta não se resume apenas na produção de morangos. Em parceria com o pai, o também cooperado Antoninho Baretta, ele planta outras lavouras comerciais. É o caso da soja e do milho, no verão, da safrinha e da aveia branca, no inverno. No último verão, eles cultivaram 120 alqueires, entre milho e soja. A produtividade média da soja, o carro-chefe das lavouras, foi de 130 sacas por alqueire, entre as variedades convencionais e transgênicas.

Saiba mais

O morango é cultivado e apreciado em diversas regiões do mundo. A produção é destinada tanto ao mercado de frutas frescas como a fabricação de doces e conservas, sendo os Estados Unidos, Espanha, Japão, Polônia, México e Itália os maiores produtores. No Brasil, ocupa uma área estimada de 3,6 mil hectares, com produção em torno de 90 mil toneladas por ano. Os maiores produtores: Minas Gerais (32,3%), São Paulo (31,4%) e Rio Grande do Sul (16,5%).