Atualmente uma das maiores preocupações dos produtores de leite está relacionada à mastite. A doença, que se caracteriza por uma inflamação da glândula mamária da vaca, é considerada um fator limitante, quando se fala em produção e a qualidade do leite. Ela também pode alterar o sabor, o odor e a composição do produto, além de aumentar a contagem do número de células somáticas no tanque de refrigeração, o que é um indicativo de menor preço na comercialização.
A veterinária Cristiane Azevedo, da Schering-Plough, afirma que a mastite é um problema sério em todas as propriedades que produzem leite. A doença, segundo ela, é a que mais causa prejuízos ao produtor, seja pela perda de produção ou de qualidade do leite. Azevedo, que esteve recentemente em Campo Mourão, palestrando em evento sobre pecuária leiteira, promovido pela Coamo, explica que o manejo é o segredo para o bom controle da mastite. “Manter a sanidade do rebanho é importante, mas, sobretudo, a higiene na sala de ordenha é fundamental para evitar a alta incidência de mastite no rebanho”, alerta.
Controle – A aplicação de um bom desinfetante nos tetos das vacas; a secagem adequada dos tetos; a boa regulagem do equipamento de ordenha e um bom monitoramento na sala de ordenha são fatores que ajudam a prevenir o problema. Azevedo lembra que não adianta o produtor usar produtos de
qualidade, bom equipamento de ordenha, vacas de genética e possuir um plantel de qualidade, se as pessoas que estiverem envolvidas no processo não forem empenhadas, aptas e conscientes da importância em prevenir a doença. “Quem está executando todos esses procedimentos é quem realmente vai fazer diferença”, ressalta. “Esta é uma doença de manejo. Para se fazer uma prevenção adequada, é preciso considerar todo o manejo da propriedade. Quando os índices da doença se elevam, significa que uma ou mais ações dentro do manejo estão sendo executadas de forma inadequada”, esclarece a veterinária.
Pré e pós-parto – A médica veterinária Liana Calegare, da Nutron, também palestrou no evento promovido pela Coamo. Ela abordou o manejo de vacas leiteiras no pré e pós-parto, explicando que as vacas que entram no período de transição (três semanas antes até três semanas depois do parto) ficam em fase crítica. “As práticas de alimentação e manejo usadas nas últimas semanas de gestação afetam profundamente a incidência de doenças no início do período de lactação”, alerta.
O período seco, segundo a veterinária, deve durar 60 dias. Ele vai permitir uma boa regeneração das células epiteliais desgastadas, um bom acúmulo de colostro e assegurar um bom desenvolvimento do feto, bem como completar as reservas corporais, caso estas ainda não tenham ocorrido. “Se o criador quer uma vaca de alta produção durante toda lactação ele precisa, principalmente, dar suporte energético e condições adequadas no pré-parto. É nesta fase que a demanda energética do animal é muito alta e o consumo é muito baixo. É uma transição entre o final do período seco e o início da lactação”, orienta.