Manejar a fertilidade em solos arenosos não é tarefa fácil. Geralmente encontrado em regiões com altas temperaturas esse tipo de solo tem baixa capacidade de reter água e nutrientes, o que aumenta ainda mais o desafio do produtor para produzir palhada, a fim de manter a umidade necessária e segurar equilibrar do nível nutricional.
O agrônomo Julio Franchini, da área de Manejo de Solos da Embrapa Soja, de Londrina (Norte do Paraná), esteve recentemente em Araruna, no Centro-Oeste paranaense, onde falou para dezenas de cooperados em evento técnico promovido pela Coamo. Ele lembrou que entre as alternativas para manter os solos arenosos equilibrados está o parcelamento da adubação potássica ao longo do ano, dividindo as aplicações. Outra opção é manejar a calagem, principalmente nas áreas de reno-vação de pastagem.
“Mas o maior segredo para este tipo de solo é a produção de palha”, diz Franchini. Ele orienta que além da aveia preta, o centeio é uma excelente opção para a região. “Queremos agregar a essas opções ao uso de forrageiras tropicais, como as braquiárias, por exemplo, que são culturas que exigem um clima mais quente e têm capacidade de aproveita-mento melhor da água e dos nutrientes. Nesta região, temos bons estudos e já estamos produzindo palhada com qualidade, com sistema radicular profundo, que acaba tendo reflexo na soja, a nossa cultura principal no verão”, explica Franchini, lembrando que o sistema caminha para um melhoramento de produtividade tanto animal quanto agrícola.
O pesquisador esclarece que a diferença entre a aveia a as braquiárias é o ciclo reprodutivo. Enquanto a primeira tem um ciclo menor e acaba se deteriorando muito rápido em razão da alta temperatura, as braquiárias são espécies perenes que suportam mais o calor, mantendo seu processo vegetativo.
“Temos que lembrar que solos arenosos não permitem erros de manejo. Ao contrário dos solos argilosos, que tem uma capacidade bem maior de reter os nutrientes. No solo arenoso a quantidade de nutrientes que você consegue segurar é bastante restrita. Por isso, existe a necessidade de um manejo bem feito para manter esse equilíbrio nutricional, porque qualquer excesso que for cometido, seja na calagem ou na adubação potássica, vai haver um reflexo direto na produtividade”, orienta o agrônomo, lembrando que o acompanhamento técnico, com um ajuste fino, é determinante para não errar.
Para o agrônomo João Roberto Juliani, encarregado do Detec da Coamo, os produtores estão mais conscientes da necessidade em adotar tecnologia de ponta, aliada a práticas conservacionistas adequadas, em razão da fragilidade que os solos arenosos apresentam. “Este ano mostramos algumas boas opções, como a utilização do tremoço branco, que proporciona uma boa aeração e descompactação do solo e deixa uma boa palhada também”, diz.

Theodoro Busso Beck, de Araruna - "As informações que colhemos em encontros como este determinam o andamento da atividade, principalmente em anos de dificuldade. A Coamo é pioneira em orientar o agricultor e em trazer novidades. E isto, sem dúvida, é determinante para nós. Só temos que valorizar".