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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 376 | Setembro de 2008 | Campo Mourão - Paraná

União e resultados

A família no centro da produção

Mangas arregaçadas para o trabalho e todos “pegam” juntos quando o assunto é produzir. Pai, mãe e filhos estão cada vez mais unidos para garantir o máximo de rendimento aos negócios do campo. Uma prova de que não há nada impossível para vários pares de mãos

O trabalho no dia-a-dia da família Stotzer, em Pinhão, no Centro-Sul paranaense, é um retrato da agricultura dos novos tempos. Democraticamente, a mão-de-obra empregada no processo de produção é estritamente familiar. No sítio dos Stotzer não existe hierarquia quando o assunto é a busca por resultados. Para fazer render mais os negócios, os cooperados Erich e Verônica Stotzer, se uniram aos três filhos. Juntos, eles arregaçaram as mangas e se uniram em torno de um projeto que tem como objetivo principal o desenvolvimento coletivo. A partir da união, eles superaram diversas barreiras e traçaram um caminho de sucesso, que tem como uma das estratégias a sólida parceria firmada com a Coamo há mais de 20 anos.

Enquanto ‘seo’ Erich está na lavoura, dona Verônica cuida da parte administrativa e financeira da propriedade. Ela também se encarrega de cuidar do sítio onde eles mantêm um plantel de bovinos de corte. Nas visitas à co-operativa e participação nos eventos técnicos eles se revezam. No entanto, em todas as atividades, sempre que não estão na escola, os filhos acompanham os pais. “Não tem nenhum segredo na nossa rotina. Tudo o que fazemos juntos é para o nosso próprio bem. Unidos podemos garantir o máximo de rendimento aos nossos negócios, já que temos os mesmos objetivos”, destaca dona Verônica.

Futuro – Os filhos do casal (Daniel, Flávio e Erikson) estudam na cidade e nos finais de semana dão expediente integral no sítio da família. O caçula Erikson, com 16 anos, até já escolheu a profissão que quer para o seu futuro: “vou fazer agronomia para ajudar meus pais e meus irmãos aqui no sítio”, revela. O primeiro passo do menino é ingressar no colégio agrícola, o que deve acontecer no ano que vem. “Gosto do campo e quero continuar fazendo o que minha família sempre fez: cultivar a terra”, garante.

No sangue – O trabalho em torno da família faz parte da cultura dos Stotzer. Descendentes diretos de imigrantes alemães, eles dizem que neste sistema os filhos aprendem com exemplos e dão maior valor a todas as conquistas da vida. “Somos conscientes de que iremos deixar estes ensina-mentos como herança para os nossos filhos. Assim, eles poderão trabalhar dignamente em busca dos seus próprios objetivos”, disse ‘seo’ Erich.

Resultados – A parceria com a Coamo tem sido um bom negócio para os Stotzer. Em 85 alqueires de área, eles destinam 40 para o cultivo de lavouras e 45 para a pecuária de corte. A soja e o milho dividem espaço no verão. No inverno a lavoura comercial é trigo, que fechou a última safra com uma produtividade média de 148 sacas por alqueire. Com a soja, a média da última safra foi de 134 sacas por alqueire, enquanto que o milho rendeu 448 sacas por alqueire. “Os bons resultados alcançados na propriedade são frutos do trabalho conjunto, dentro da família e com a Coamo. Quando unimos forças e puxamos todos para o mesmo lado, o resultado não pode ser outro senão o sucesso”, destacam os cooperados.

Organização familiar

O gerente Técnico e Econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, destaca que a organização familiar é uma questão social que avançou com o tempo. “O que mudou da geração passada para esta é que as famílias estão cada vez mais dedicadas na busca por resultados. A produção deixou de ser imposição e passou a ser um excelente negócio. É um bom momento para o campo e as famílias rurais sabem que quando unem forças elas se tornam mais eficientes na missão de transformar informação e tecnologia em lucro”, avalia Turra.

Para o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Paraná (Senar), Ronei Volpi, o conceito de ter a família como centro dos negócios é uma estratégia dos empresários rurais de hoje. No Paraná, segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, são 300 mil propriedades rurais ligadas à agricultura familiar. “Estes agricultores estão no campo por opção e buscam a qualificação da própria mão-de-obra, já que não existe mais amadorismo no campo. Esta condição cria uma rotina empreendedora que valoriza o trabalho em torno da família, que é um parceiro que você conhece e confia”, salienta Volpi.

Amigas na vida, parceiras nos negócios

Quando não estão ajudando os maridos na lavoura ou cuidando da casa e dos filhos, Aparecida, Etelvina e Lucilene Zangalli; Nereide Arruda e Maria dos Santos podem ser facilmente encontradas entre pães, doces e bolos que elas mesmas produzem. Amigas de longa data e freqüentadoras assíduas dos cursos sociais repassados pela Coamo, em parceira com o Sescoop – Serviço Social do Cooperativismo, elas aprenderam e aprimoraram as receitas e, há 10 meses, resolveram oferecer os produtos para os amigos e vizinhos da comunidade rural Três Vendas, onde moram. E para a surpresa do grupo o sucesso dos produtos foi total. Os confeitos caíram no gosto de toda a região.

A notícia se espalhou rápido e elas começaram a receber pedidos até mesmo do público urbano. Foi então que elas resolveram se organizar melhor. Compraram um forno industrial, ampliaram a produção e inauguraram uma barraca na feira livre da cidade. A partir de então, três vezes na semana elas se reúnem para preparar as receitas que são muito apreciadas pela comunidade e também pelos moradores da cidade.

Dona Cidinha, como prefere ser chamada (ela diz que ninguém a conhece como Aparecida Zangalli), diz que o grupo se uniu para buscar alternativas de melhoria da qualidade de vida para as suas famílias. A idéia surgiu como brincadeira, que acabou virando séria. “No começo queríamos melhorar a renda da família. Mas agora percebemos que estamos fazendo um algo a mais para o bem da comunidade e para o nosso próprio bem, já que enquanto estamos trabalhando também nos divertimos muito, porque somos quase irmãs”, valoriza.

Mais dinheiro em casa – O segredo do grupo é a venda personalizada. As encomendas são entregues na casa dos clientes e também são retiradas na feira livre da cidade, que acontece sempre às quintas-feiras. “Toda a nossa produção comercializada rapidamente. Quando chegamos para montar a nossa barraca já tem gente esperando para comprar os nossos produtos. Isso é muito gratificante. Mostra que os nossos clientes estão apreciando os nossos produtos”, afirma dona Nereide Arruda.

Por semana, o grupo produz cerca de 90 pães caseiros, tradicionais e doces. Elas também preparam 15 quilos de bolachas, além de aproximadamente 20 bolos e 150 coxinhas, preparados a partir da mandioca. “Aproveitamos o que produzimos na propriedade e o dinheiro que conseguimos nos ajuda a aumentar a renda mensal da família”, destaca dona Etelvina Zangalli. A receita líquida para cada uma delas gira em torno de meio salário mínimo.

Com o sucesso do negócio, o grupo já pensa em ampliar a estrutura para garantir o atendimento aos clientes. Uma nova cozinha está sendo planejada na casa da dona Cidinha, que é onde o grupo se reúne. “É muito bom participar desse trabalho”, co-memora dona Maria dos Santos, destacando o fato do grupo estar sempre unido e fazendo o que mais gosta. “E o apoio da Coamo para este nosso trabalho tem sido fundamental, porque a cooperativa sempre nos oferece a oportunidade de aprimorarmos as nossas receitas, através dos cursos”, completa dona Lucilene Zangalli.

Trabalho feito a seis mãos

O cooperado Irineu Fucks, também de Pinhão, sabe bem da importância que tem a família quando o assunto é produzir e garantir a própria subsistência sobre um pedaço de chão. No sítio de 10 alqueires, localizado na região da comunidade Faxinal dos Ribeiro, ele, a esposa Loiva e os dois filhos (Marlon e Martin) tiveram que trabalhar muito para que a propriedade chegasse aos padrões de hoje. “Tivemos que iniciar tudo por aqui. Fizemos lenha e vendemos carvão para comprar o calcário necessário para corrigir a terra que iríamos plantar. Não foi fácil, mas mantivemos a nossa união e o nosso propósito de vencer”, lembra o agricultor.

A primeira estufa – A família tem orgulho de ter permanecido no local e de todas as conquistas alcançadas até hoje. “Desde que chegamos aqui já sabíamos que precisávamos nos unir e buscar alternativas de diversificação, já que a nossa terra era pouca”, revela ‘seo’ Irineu. Os Fucks implantaram a primeira estufa para a produção de hortaliças na região de Pinhão. “Isto aconteceu há 15 anos”, afirma dona Loiva. A experiência deu tão certo que hoje eles aprimoraram a estrutura e já construíram uma nova estufa. As duas estufas ocupam uma área de 300 metros quadrados. O forte da produção é de alface, rúcula e beterraba. Eles também produzem, em outros canteiros, cenoura, repolho, brócolis e tomate. Toda a produção é entregue aos supermercados e restaurantes da cidade, duas vezes por semana. A renda mensal da família, com a venda das verduras e legumes, é de cerca de dois salários mínimos.

Batata-salsa e leite – Entre as novidades na propriedade dos Fucks está a produção de batata-salsa e a bovinocultura leiteira. “Plantamos a batata nesta safra e o resultado foi muito bom. Espe-ramos que isto ocorra também no próximo ano”, salienta o co-operado, que está cultivando um hectare da lavoura. A produção esperada pelo agricultor é de 10 mil quilos de batata-salsa.

Quanto ao leite, as seis vacas mantidas pelo cooperado na propriedade garantem um volume de 70 litros diários do produto. “É uma atividade que estamos começando agora, mas que também queremos investir mais para garantir maior renda”, acrescenta dona Loiva.

Livrar a soja, o milho e o feijão – O cooperado também cultiva soja, milho e feijão. Na última safra, a produtividade média de soja colhida pelos Fucks foi de 120 sacas por alqueire, enquanto que o milho rendeu 370 sacas por alqueire. Com o feijão, a família fechou a última colheita com uma produtividade média de 100 sacas por alqueire. “Com a diversificação conseguimos uma boa renda mensal que ajuda a manter a propriedade. Assim, o resultado das lavouras sobra para novos investimentos. Mas é preciso manter o foco no trabalho familiar para que os custos não inviabilizem os negócios”, orienta o produtor.