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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 387 | Serembro de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Biotecnologia

Lagartas longe do milharal

Agrônomos da Coamo dizem que a preferência pelo milho Bt se justifica pela manutenção do potencial produtivo da lavoura

Não há como negar que do ponto de vista tecnológico o milho Bt, que no inverno já foi semeado boa parte da área de plantio destinada ao cereal, traz um alívio ao produtor rural, com a promessa não de reduzir custos, mas principalmente de manter o potencial produtivo do cereal, em razão de não haver estragos na lavoura com ataques de pragas, e facilitar o manejo da lavoura. “O Bt não vai trazer economia porque o produtor vai diminuir ou até zerar o número de aplicações de inseticidas, o que do ponto de vista econômico é um controle barato. Com a tecnologia o produtor consegue manter o potencial produtivo da lavoura, e aí sim ele sai ganhado, não deixando as pragas comerem o seu lucro”, explica o agrônomo Antonio Carlos Ostrovski, supervisor de Assistência Técnica da Coamo.

Há quem diga inclusive que o milho GM (geneticamente modificado) vai se expandir muito mais rapidamente que a soja, uma vez que o interesse do produtor pelo cereal transgênico é muito grande e já existem híbridos adaptados para todas as regiões produtoras.

Na área de ação da Coamo, por exemplo, a adoção da tecnologia já foi grande na safrinha e promete aumentar na safra 2009/10, confirmando a tendência natural de substituir o milho convencional pelo transgênico nas próximas safras. Resistente a lagartas como a do cartucho e da espiga, e também a broca do colmo, entre ouros benefícios a tecnologia Yealdgard, como também é conhecido o Bt, oferece ao agricultor a redução ou até dispensa de aplicações de inseticidas, além da não apresentação de grãos ardidos e micotoxinas, por exemplo.

AVANÇO – Em Caarapó, no Sul do Mato Grosso do Sul, onde a Coamo também está presente, cerca de 20% da área de safrinha semeada neste ano foi com híbridos transgênicos, e a tendência, segundo o encarregado técnico da unidade da cooperativa, José Carlos Andrade, é de na próxima safra superar os 50%, devido aos benefícios que o Bt traz ao produtor. “Para o verão – diz Andrade, apesar de área de milho não ser expressiva em razão das condições climáticas que favorecem mais a cultura da soja, o que for plantado de milho, será pratica-mente tudo com Bt”, revela.

Já em Tupãssi, na região Oeste do Paraná, a implantação da lavoura de milho safrinha com a tecnologia Yealdgard ocupou 60% da área de plantio. Está expressiva área, conforme explica o agrônomo Alex de Carlis, encarregado do Detec da Coamo, foi implantada pelos cooperados devido a grande vantagem no manejo de pragas; menor uso de agrotóxicos; menor consumo de água e de combustível na hora de aplicar o inseticida e mesmo com a estiagem ocorrida na safra de inverno, foi grande a satisfação dos produtores com relação ao uso da tecnologia Yealdgard.

Mas o otimismo dos produtores naquela região vai além. Estima-se que nesta safra de verão que está se iniciando (2009/2010), cerca de 90% das lavouras de milho em Tupãssi, será de transgênicos.

Outra região na área de ação da Coamo onde a tecnologia vem ganhando força é a de Juranda, no Centro-Oeste do Paraná. Por lá, em torno de 50% da safrinha já foi semeada com híbridos GM e, no verão, o agrônomo Ércio Coldebella, revela que o avanço será ainda maior. Ele estima que na safra 2009/2010, em torno de 70% da área de plantio de milho será ocupada pelo Bt. Coldebella analisa que os produtores estão aderindo à tecnologia pela eficiência comprovada, quando comparado com o convencional, que tem exigido em muitos casos, até quatro aplicações de inseticidas, em decorrência da alta pressão da lagarta do cartucho e da dificuldade de controle, principalmente quando em condições de estiagem, como ocorreu neste ano. “O produtor tem valorizado mais a comodidade de não usar os defensivos do que propriamente o custo da tecnologia”, diz. Opinião parecida tem Wilson Juliani, encarregado do Detec da Coamo em Guarapuava, na Região Central do Paraná. Ele diz que com a facilidade que o Bt proporciona quando se fala em manejo de pragas, os produtores que testaram o produto na safra anterior tiveram uma ótima impressão da tecnologia e acabaram estimulando outros produtores. Nesta safra em Guarapuava, afirma Juliani, a tecnologia será adotada em pelo menos 75% da área.

NORMAS – A Gerência de Assistência Técnica da Coamo está fazendo um grande trabalho de conscientização do produtor, no tocante a instalação das áreas de refugio e de coexistência (confira quadro publicado na página 6), exigidas para implantação das lavouras de milho Bt. Logo na retirada da semente o cooperado Coamo leva junto um informativo técnico sobre a necessidade de implantação dessas áreas exigidas por lei.