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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 387 | Serembro de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

A nova safra e o Código Florestal

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

Com a chegada da primavera e as perspectivas de clima regular, os cooperados iniciaram o plantio da safra 2009/2010 acreditando em boas produções e esperando que seja bem melhor do que as anteriores, que foram prejudicadas por eventos climáticos – geada, granizo, chuva na colheita -, e ocasionaram frustração na produção agrícola. Assim, estão sendo implantadas as lavouras de milho e depois será a vez da soja. Com a conclusão do plantio da nova safra, os agricultores retomam as esperanças e torcem por clima regular e os bons resultados na atividade.

Os cooperados fizeram e estão fazendo a sua parte, e para isso contam com o apoio e a estrutura da Coamo no fornecimento dos insumos e da assistência necessária, com as condições ideais para lançar as sementes ao solo na busca de produtividades e lucro no campo.

Na área da Coamo, devido aos problemas de frustração e preços, haverá redução no plantio na área de milho, e os números apontam para uma área 34% menor em relação a safra passada e a diferença provocará incremento na área da soja.

Essa redução de área de milho nesta safra é motivada pela insatisfação dos produtores com o preço que, ao redor de R$ 14,00 está abaixo do preço mínimo. Essa situação é problemática e poderá ser resolvida se o governo promover a exportação de cerca de 7 milhões de toneladas das safras de verão do ano passado e da safrinha deste ano para que as perspectivas de preços possam ser melhores em 2010.

Outro cereal que vem registrando problemas de preço e qualidade é o trigo, que em 2008 teve um ano excepcional. Mas, neste ano apresenta dificuldades em função da entrada de produção da Argentina e dos preços atuais que não pagam sequer o custo de produção. O cenário, infelizmente, é de dificuldades e para completar a situação, tivemos uma safra com geada, granizo e chuvas que prejudicaram as produtividades. Para tentar resolver a questão, a solução seria o governo comprar trigo pelo preço mínimo, mas com alterações nas normas, pois há trigo com PH bom mas apresentando baixa qualidade para uso em farinha.

No caso da soja, a tendência é de haja queda nos preços futuramente, previsão esta determinada pelas previsões atuais que indicam excelente produção na safra americana, em torno de 88 milhões de toneladas e também da Argentina que deve ficar em 51 milhões de toneladas. Isso sem contar, no aumento de área e produção também no Brasil, haja vista que haverá incremento no plantio desta safra com áreas anteriormente ocupadas com lavouras de milho. Este quadro com previsão de aumento de plantio resultando em maior volume de produção mundial deverá ocasionar em preços abaixo dos esperados pelos agricultores.

Nesta safra, temos dois cenários; de um lado os agricultores implantando suas lavouras com redução no custo de produção, mas do outro eles estão acompanhando a queda nos preços das commodities e consequentemente diminuir suas margens de lucro nas suas atividades. O dólar no patamar de R$ 1,79 com a supervalorização da moeda brasileira prejudica e muito a margem na exportação brasileira.

Essas tendências de comercialização são apresentadas neste momento e podem ser alteradas, e é isso que esperamos, ou seja, que os cenários voltem as ser favoráveis e assim, possamos implantar uma boa safra, colher produtividades satisfatórias e obter a lucratividade esperada.

MEIO AMBIENTE – Outro assunto que vem sendo problema para os agricultores brasileiros diz respeito às mudanças no Código Florestal. Os agricultores aguardam com expectativa pela sua aprovação no Congresso Nacional antes do prazo final de 11 de dezembro deste ano, estabelecido anteriormente para averbação das áreas de Reserva Legal das propriedades. A Coamo, juntamente com a Ocepar e as lideranças, está reivindicando e participando de reuniões e debates para sensibilizar o governo, autoridades e o Congresso nacional da necessidade de alterações do atual Código Florestal, para não tornar inviável a prática da agricultura brasileira.

O que os agricultores e os co-operados da Coamo defendem é a eliminação da reserva legal (20% da área produtiva) e a permanência apenas da mata ciliar. Haja vista que o Paraná possui mais de 20% de mata e os agricultores vêm fazendo a sua parte na preservação e na conservação do meio ambiente. Sem contar que os produtores rurais não podem perder 20% da sua renda e do seu patrimônio.

Os agricultores brasileiros esperam pela nova legislação ambiental baseada no bom senso tanto por parte do Governo como do Congresso Nacional, e dizem sim a mata ciliar e exigem a eliminação da reserva legal.