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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 387 | Serembro de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Memória

Morre pai da “Revolução Verde”

Norman Borlaug ajudou a salvar milhões de pessoas da fome nos anos 60 e ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1970

O agrônomo americano Norman Borlaug, morreu no dia 12 de setembro, nos Estados Unidos, aos 95 anos. Arquiteto da “Revolução Verde”, ele ajudou a salvar milhões de pessoas da fome nos anos 1960, ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1970, e polemizou com ambientalistas por sua defesa do uso de fertilizante e de plantas transgênicas.

Borlaug foi o responsável pelo desenvolvimento de variedades de trigo e de um pacote de técnicas agrícolas que impediram uma mortandade em massa na Índia, no Paquistão e nas Filipinas nos anos 1960. Graças a suas pesquisas, esses países praticamente dobraram sua produção do cereal em apenas cinco anos. O trabalho ajudou nações do Terceiro Mundo a se tornarem autossuficientes na produção de grãos, rompendo um ciclo histórico de baixa produtividade e dependência extrema de chuva que matava de fome dezenas de milhões em certas regiões durante secas anormais.

“Norman Borlaug salvou mais vidas do que qualquer homem na história”, disse Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa de Alimentação das Nações Unidas. “Seu coração era tão grande quanto sua mente brilhante, mas foram sua paixão e sua compaixão que moveram o mundo”. Por seu trabalho, Borlaug ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1970, mas também a antipatia dos ambienta-listas: o pacote de práticas agrícolas exportado para a Ásia, que depois virou padrão no mundo todo, incluía o uso maciço de fertilizantes à base de nitrogênio – poluentes da água -, e levou à expansão acelerada da área cultivada no mundo, inclusive no Brasil, à custa dos ecossistemas.

A esses críticos, o agrônomo tinha uma resposta na ponta da língua: “Para aqueles cuja principal preocupação é defender o ‘ambiente’, vamos olhar o impacto que a aplicação da agricultura baseada na ciência teve sobre o uso da terra. Se a produtividade dos cereais de 1950 tivesse permanecido em 1999, teríamos precisado de 1,8 bilhão de hectares adicionais de terra da mesma qualidade, em vez dos 600 milhões que foram usados”, escreveu, num artigo publicado em 2002.

Nas últimas duas décadas, tornara-se um defensor fervoroso dos transgênicos, vendo-os como ferramentas principais de uma nova “Revolução Verde”. O instituto onde trabalhava e que dirigiu por três décadas, o Cimmyt (Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo), no México, desenvolve transgênicos para distribuir, de graça, na África. No entanto, ele pregava insistentemente contra “o crescimento irresponsável da população”. “Ainda temos um número alto de pessoas miseráveis e famintas, e isso contribui para a instabilidade”, disse, em 2006, complementando com a afirmação de que “a miséria humana é explosiva, não se esqueça disso”!