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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 429 | Setembro de 2013 | Campo Mourão - Paraná

Tecnologia

Campo Mourão comemora 40 anos do Sistema de Plantio Direto

No ano em que o sistema de plantio direto comemora 40 anos de existência, a Associação dos Engenheiros Agrônomos da Região de Campo Mourão (AEACM) realizou um encontro para comemorar a data. A região de Campo Mourão é a segunda na história do plantio direto no Brasil. A primeira é Rolândia onde o agricultor Herbert Bartz, considerado o “pai do plantio direto no Brasil”, fez na safra 1972 o primeiro plantio da história com a importação de uma plantadeira dos Estados Unidos, Allis Chalmers. Depois, vieram os municípios de Campo Mourão (safra 1973), Mauá da Serra (1974) e Ponta Grossa (1976).

Poucas tecnologias agrícolas têm experimentado um crescimento tão rápido em nível mundial como o plantio direto. Em Campo Mourão, o pioneirismo foi dos agricultores Antonio Álvaro Massareto, Joaquim Peres Montans, Ricardo Accioly Calderari, Gabriel Borsato e Henrique Gustavo Salonski (em memória). Eles foram homenageados durante o encontro, realizado pela AEACM no dia 14 de setembro

De acordo com o presidente da AEACM, Roberto Destro, o objetivo do evento foi discutir os desafios do plantio direto, que já está consagrado na região. “Aproveitamos o encontro para homenagear os pioneiros da tecnologia em reconhecimento aos trabalhos prestados por eles. O plantio direto é um sistema que revolucionou a agricultura e a Associação dos Engenheiros Agrônomos não poderia deixar de fazer está justa homenagem”, observa.

PIONEIRISMO – Quem comemora o sucesso da agricultura com o advento do plantio direto é o engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari, diretor-secretário da Coamo. “O progresso foi tão grande nos últimos 40 anos que os novos agricultores nem imaginam como eram os solos e a agricultura lá na década de 70”, diz. Calderari lembra que os agricultores na época, tinham duas grandes preocupações: precisavam de chuva, mas quando chovia, às vezes nem precisava ser muito forte, para que as terras fossem literalmente ‘lavadas’ e tudo se perdia, a lavoura e o solo. “Se existe agricultura hoje é porque existe o plantio direto”, conta.

No final da década de 70, a região de Campo Mourão contava com dez mil hectares de PD. Mas, foi a partir dos anos 80 que a tecnologia teve o seu grande momento. “Em 1984 já tínhamos catalogado na região de Campo Mourão cerca de 60 mil hectares de lavouras em PD. Hoje, o sistema ocupa praticamente 100% das áreas de cultivo da região”, comemora Calderari.

Gabriel Cândido Borsato, outro homenageado durante o encontro, ressalta a emoção e felicidade de ter sido lembrado. “Na época eram muitas as dificuldades. Haviam poucos recursos e pouca tecnologia, mas como éramos jovens e curiosos, corremos atrás e iniciamos com o plantio direto, um sistema que se consolidou e revolucionou a agricultura”, observa.

Desafios para o plantio direto

De acordo com Julio Franchini, pesquisador da Embrapa Soja de Londrina, nesses 40 anos os desafios foram mudando. “No início tínhamos problemas com herbicidas e com maquinários, que foram superados. Atualmente, o maior problema é a falta de diversificação. É preciso diversificar o sistema para que se tenha sustentabilidade e aumente as produtividades”, comenta. Ele reforça que a rotação de culturas está deixando a desejar. “É o grande desafio porque temos poucas opções econômicas, mas precisamos usar o que temos. Vemos que os produtores têm dificuldades de cultivar milho no verão. Porém, trabalhos em parceria com a Coamo mostram que fazendo rotação de soja e milho no verão aumenta a produtividade da soja e diminuiu perdas em momentos difíceis.”

Ele acrescenta que uma comparação das últimas 14 safras paranaenses mostra que em sete houve produtividades abaixo do potencial. “Estamos muito vulneráveis ao clima, e a rotação tem que ser encarada como um investimento dentro do sistema. Fazendo isso se consegue um ambiente melhor. Não temos controle sobre o clima, então precisamos nos proteger e criar ambiente propício e com menor vulnerabilidade.”

Para o pesquisador Cássio Tormena, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), há 40 anos o sistema de plantio direto chegou como solução para os problemas de erosão e fertilidade do solo. Contudo, é necessário que as recomendações técnicas sejam seguidas para manter a qualidade e a fertilidade integral do solo.

Ele explica que a fertilidade do solo é separada em três componentes: química, física e biológica. “Nenhum solo é fértil se não tiver esses três componentes funcionando bem. De forma geral, os agricultores têm um bom conhecimento técnico e fazem um bom manejo da fertilidade química, mas é necessário ainda evoluir também nos outros dois componentes. Nesses 40 anos, o plantio direto se consolidou, mas temos sempre que se atualizar e seguir corretamente as recomendações técnicas para que o sistema continue gerando bons resultados”, observa.

O evento contou também com palestra do engenheiro agrônomo da Coamo, Joaquim Mariano Costa, que falou sobre a evolução do plantio direto em Campo Mourão. Ele diz que o sistema surgiu diante da necessidade de tornar a produção agrícola mais sustentável, buscando minimizar os custos com insumos e otimizar o aproveitamento da área de plantio. “Felizmente, este objetivo foi atingido e está completando 40 anos. Foi o grande acontecimento de exploração agrícola. É o que a ciência agronômica ofereceu de mais importante até hoje, do ponto de vista biológico, químico e físico do solo”, considera.